Como se preparar para os elevados custos da medicina na senilidade?

Como se preparar para os elevados custos da medicina na senilidade?

Por Renato Falci Jr.*

Não há dúvidas que o custo da medicina vem aumentando nos últimos anos, muito acima de qualquer índice de preço, e que esse problema é mais perceptível para o grupo de pessoas que procura tratamento médico com mais frequência. São múltiplas razões para a elevação desse custo, que incluem desde a inovação tecnológica até a má admistração dos recursos. Adicionando a esse quadro o aumento da expectativa de vida e o aumento progressivo da necessidade de cuidados médicos relacionado ao envelhecimento da população, temos uma equação praticamente sem solução.

Os custos da saúde são um grande problema, mesmo em países com renda per capita muito maior que o Brasil. Todos os modelos têm suas críticas e apenas parecem funcionar quando o vemos de longe. Não é incomum a decepção de um turista brasileiro ao usar o sistema de saúde do país que visitou, que era considerado perfeito, enquanto visto à distância.

No Brasil, temos, resumidamente, três possíveis fontes pagadoras da saúde que, no final das contas termina, direta ou indiretamente, no bolso do usuário. Não cabe aqui criticar ou elogiar determinado sistema, mas apenas tentar demonstrar que a solução está longe do ideal.

O SUS - Sistema Único de Saúde. A constituição de 1988 garante para todo cidadão brasileiro o direito à saúde. Porém, como sabemos, a saúde tem custo e o dinheiro é finito. Logo, não tardou para que a falta de recursos resultasse em incontáveis queixas, filas e problemas de gestão, que viram notícias na mídia e se repetem ano a ano.

Os planos de saúde ou convênios. Funcionam de modo semelhante a um seguro, cujo princípio é a divisão do risco. Todos os usuários pagam pelos tratamentos de todos. Com isso consegue-se uma mensalidade fixa, pois o risco é diluído. Mas, existe também um grande problema nesse sitema. Diferente de um seguro de automóvel, de uma casa ou um seguro de vida, o valor do sinistro não tem limite, portanto, o prêmio pago pelo seguro pode ter valor muito variável e alto. Tal fato é muitas vezes incompatível com o orçamento familiar. No Brasil existem planos para todos os bolsos e, assim como os demais sistemas de saúde, os usuários plenamente satisfeitos com eles parecem ser uma raridade.

A medicina privada. Talvez seja o modelo almejado por todos, tanto pelos prestadores como usuários. Porém, seu elevado custo, a restringe a um pequeno grupo de pessoas. Ela se baseia em uma relação livre entre usuário e prestador e o preço regulado pelo mercado e concorrência.

No entanto, a realidade de muitas pessoas no Brasil parece ser uma mistura de todos os modelos, onde se usa um pouco de cada sistema, visando viabilizar o custo dentro do orçamento familiar.

Por um outro lado, a evolução natural do capitalismo, principalmente após a revolução industrial, permitiu que bens e serviços melhorassem sua qualidade e diminuissem seus custos. É indiscutível que hoje existem muito mais recursos e cada vez mais gente tem acesso a eles. Por exemplo, os implantes dentários eram inexistentes há algumas décadas, muito caros quando surgiram e atualmente mais acessíveis. Portanto, deixando os custos de lado, precisamos admitir que houve um grande progresso na assistência à saúde nas últimas décadas e que, atualmente, temos muito mais tratamentos disponíveis no mercado.

Um problema adicional e não previsto até há pouco tempo é o envelhecimento da população e o consequente aumento de custo desse grupo, em relação à saúde. A partir da segunda metade do século passado e após o baby boom do pós guerra, o ocidente embarcou em uma série de políticas de controle de natalidade o que culminou no aumento da idade média da população. Isso significa que a população envelheceu, os custos da medicina subiram e não existem jovens suficientes para pagar essa conta. O grande problema é que a maioria dos sistemas de previdência e custo do idoso em geral são pagos por um sistema piramidal composto pela população mais jovem, que contribui e não gasta. Com a diminuição das taxas de natalidade e o aumento da longevidade, esse sistema passa por uma crise no mundo todo.

O Instituto Lado a Lado pela Vida discute a sustentabilidade da saúde há algum tempo e ano passado realizou a primeira edição do Global Forum - Fronteiras da Saúde, para pensar em soluções capazes de democratizar o acesso à saúde e às novas tecnologias em saúde para toda a população. A reflexão que trago nesse texto é para mostrar que precisamos nos planejar financeiramente para o alto custo que o envelhecimento traz. E, como médico, afirmo que precisamos ir além, adquirindo hábitos saudáveis capazes de prevenir muitas doenças. Uma maneira que temos de fortalecer nossa saúde e que depende apenas de nós.