Crianças representam 31% das mortes por fumo passivo

Crianças representam 31% das mortes por fumo passivo

Longe do cenário elegante e de status das décadas de 60, 70 e 80 que perpetuavam o cigarro, hoje a imagem deste produto deixa clara seus efeitos, que causam 200 mil mortes por ano no Brasil e 6 milhões no mundo, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Ainda assim, cerca de 25% dos adolescentes ao final do ensino médio fumam ou já fumaram um cigarro. Mas, por quê?

O médico Gustavo Frazatto Miranda explica que a adolescência é uma fase com muitas emoções e acontecimentos e isso abre as portas para tudo que lhe é novo e diferente. "O uso vem pela curiosidade, necessidade de aplacar angústias da própria fase, prazer e até por imitação de amigos e familiares". 

Os dados indicam que 40% das crianças estão expostas ao fumo passivo em casa e 31% das mortes atribuídas ao fumo passivo ocorrem nesse grupo, informa pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde em 2016.

Nessa mesma pesquisa, temos informações de que 18,5% dos adolescentes com 12 a 17 anos já experimentaram pelo menos uma vez o cigarro. Apesar do alto índice, outro estudo da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) declarou em 2009 que a taxa entre adolescentes de 13 e 15 anos era de 24%, uma taxa de 5,5% maior.

Na opinião do Dr. Frazatto Miranda, a legislação tem ajudado nessa diminuição. "A proibição de cigarros aromatizados e com sabores teve papel importante na limitação do consumo entre jovens, pois era a população mais atraída e que mais consumia tais produtos".  

E o consumo de cigarro não se limita às grandes cidades. A pesquisa do Ministério relatou que as principais capitais da região Sul tiveram um grande número de incidência de consumo de tabaco. As capitais com maior índice foram Campo Grande com 26,8%, Porto Alegre com 26,5%, Florianópolis com 25,1% e Curitiba com 23,4% apresentaram maior prevalência de adolescentes que afirmaram ao menos uma experiência com cigarro.

Mais de 90% dos fumantes adultos iniciam o hábito antes dos 19 anos. Foi assim com Ana Pistori, que é ex-fumante há cerca de 1 ano. "Eu experimentei o cigarro lá nos meus 14 anos com as amigas. Aos 15 já tinha se tornado um hábito e eu fumava com frequência".

Hoje, aos 44 anos, Ana conta que sempre teve consciência dos males do cigarro e já vinha pensando em largar o cigarro há uns dois anos. "Nesses 28 anos eu consegui parar algumas vezes. Fiquei dois anos sem fumar em cada uma das minhas duas gestações. Mas só agora tive a oportunidade e a força de vontade em parar de vez". Após um período muito doente por uma forte gripe, Ana aproveitou a situação que a impedia de fumar para não voltar mais ao vício. 

Ela também faz parte da queda apontada pela pesquisa da Vigitel de 2013 que demonstra uma redução de fumantes adultos de 33,8% nos últimos 10 anos.

 

Tabaco e suas outras doenças

O câncer de pulmão já é um velho conhecido do tabaco. Cerca de 90% dos casos estão relacionados aos fumantes ativos. Mas outra grande preocupação são as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) desenvolvidas pelo uso ativo ou passivo do tabaco, como as doenças pulmonares, cardiovasculares como derrame cerebral e outros tipos de cânceres.

Outros problemas estão relacionados ao desempenho sexual, infertilidade e impotência; problemas estéticos, dentes amarelados, mau hálito e propensão ao surgimento precoce de rugas.

Alguns dos efeitos apontados são problemas respiratórios, dependência da nicotina e o risco associado ao uso de outras drogas. Jovens fumantes têm uma queda na taxa de crescimento do pulmão e possuem menor nível de função pulmonar e aptidão física (desempenho e resistência). Um jovem adulto tem de 2 a 3 batimentos cardíacos a mais por minuto (pode levar a taquicardia), sente falta de ar quase três vezes mais, tem três vezes mais propensão a consumir álcool, oito vezes mais a consumir maconha e 22 vezes mais a consumir cocaína.   

Os custos para a saúde são enormes. O INCA afirma que ao ano são gastos R$ 23 bilhões de reais por problemas com origem no cigarro.  

 

Você não precisa fazer isso sozinho!

Para quem deseja parar de fumar, existem pelo Brasil inúmeros programas de entidades públicas e privadas que dão suporte ao dependente do tabaco. O tratamento pode ser composto por ingestão medicamentosa e acompanhamento psicológico. Começar o tratamento é simples. Basta ir a uma unidade de saúde mais próxima e solicitar atendimento para dependentes de tabaco. É importante lembrar que o serviço auxilia quem busca largar o cigarro, mas o paciente também precisa fazer sua parte.