Global Forum: Tecnologia deve melhorar processo hospitalar e aumentar tempo do médico com o paciente

Global Forum: Tecnologia deve melhorar processo hospitalar e aumentar tempo do médico com o paciente

Transformação trazida pelos avanços tecnológicos no diagnóstico e tratamento é nítida, mas é preciso reduzir burocracia do atendimento. Fotos Panóptica Multimídia


Redação LAL* - Os avanços tecnológicos estão transformando a vida de todos em muitas áreas e a saúde não fica de fora. Mas como inserir a tecnologia no sistema público e privado de uma forma sustentável? O Global Forum - Fronteiras da Saúde debateu o tema na mesa "O papel da tecnologia em um processo de mudanças, com mediação do oncologista e membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL), Fernando Santini, e os debatedores Luiz Carvalho (CTO da Nexo), Daniel Morel (IBM Watson Health), Manoel Fernandes (BITES) e Leonardo Vedolin (DASA).

Para Fernando Santini, ela já está bem inserida quando se pensa nos tratamentos, exames e medicamentos de última geração. "Mas nós médicos ainda gastamos muito tempo com burocracias e a tecnologia deveria nos ajudar a passar mais tempo com os pacientes. Em uma empresa, processo é tudo. Mas a única coisa que um hospital não tem é processo. Acredito que melhorando isso, melhoramos o acesso e o tempo com o paciente", apontou.

Leia também:  Global Forum - Fronteiras da Saúde discute sustentabilidade da saúde pública e privada

Para os participantes, o profissional de saúde não será substituído pela tecnologia, como alguns temem. "Não estamos, ainda, em uma época em que algoritmo possa substituir o médico ou profissional de saúde, mas sim trazer eficiência ao sistema como um todo. Em São Paulo, por exemplo, cerca de 1 milhão de pacientes falta às consultas médica. Um algoritmo que predissesse quem vai faltar poderia avisá-lo de que tem uma consulta, tentando evitar a ausência. Ou até mesmo liberando o horário para outra pessoa. Isso traria aumento na eficiência e economia de recursos", colocou Leonardo Vedolin, diretor médico da DASA.

O jornalista e fundador da empresa Bites, Manoel Fernandes, informou que 11 milhões de buscas para a palavra "sintomas" foram feitos no Google, o que é um sinal da importância da tecnologia nas nossas vidas. Para ele, ela não pode resolver tudo. "O que temos que construir é uma grande aliança entre a tecnologia e o homem. Temos que buscar a simplicidade nessa relação", destacou. Além disso, todos os dados gerados com as pesquisas feitas nos buscadores em relação à saúde são um bom indício de áreas que governos e instituições devem focar suas atenções, ao pensar em campanhas e políticas públicas.

Após a definição de conceitos fundamentais e diferenças sobre o que é a inteligência artificial (IA), o machine learning e o deep learning, Luiz Carvalho, da Nexo, levantou que a academia brasileira não está preparada para a tecnologia e mantém o mesmo direcionamento de 50 anos atrás, mesmo que o mindset do brasileiro já tenha mudado. "A mídia não contribui para acabar com o preconceito contra a tecnologia, porque a tecnologia é meio e não fim; não vai tirar empregos ou trazer o mal". Para ele, o fato da adoção dos avanços ainda ser lento na área é devido ao "risco à vida que nos inibe em tomar algumas decisões que são mais fáceis de ser empreendidas em outros mercados". 

A inteligência artificial e o machine learning já vêm sendo usados para leitura de exames e predição de tumores. Muitas vezes, a tecnologia permite que sejam vistos pontos que não foram identificados pelo olho humano. Ou seja, ela passa a ser um suporte para o diagnóstico e a decisão do médico. "O problema da saúde é que não houve tempo de evolução do setor, já que não houve tecnologias de grande impacto para resolução de problemas, a exemplo de outras indústrias. O setor ainda não está maduro, pois serão gastos 120 bilhões de dólares em IA, mas isso ainda representa soluções em busca de problemas e não o contrário. Mas, sem dúvida, a tecnologia é parte da solução para eficiência da saúde", destacou Leonardo. 

A redução de custos também foi levantada como uma forma de aplicar a tecnologia na saúde. Segundo Daniel Morel, médico oncologista do IBM Watson, o sistema Watson que sistematiza a prescrição médica baseada em evidências, usando as características clínicas de cada paciente, e a informação selecionada pelo médico para se retroalimentar é um bom exemplo dessa aplicação. A partir desse ponto, essa sistematização vira "o melhor uso do quimioterápico no estado do Ceará, por exemplo, auxiliando a tomada de decisão do médico e o fluxo do paciente dentro do Serviço". Outra inovação oferecida pelo Watson, segundo ele, é a busca por artigos na literatura para sistematizar a melhor evidência do uso das terapias, que é importante na hora da discussão entre médico e auditor. O médico também trouxe à tona a questão dos sistemas de prontuários eletrônicos diferentes, que atrapalham o manejo da informação por qualquer sistema. E pontua que o modo como os dados são usados deve ser regulamentado, do ponto de vista da segurança no manejo dessa informação.

*Com informações de Bia Rodrigues, Silvana Cordeiro e Mirtes Bogéa