Obesidade aumenta risco de doenças cardiovasculares e câncer

Obesidade aumenta risco de doenças cardiovasculares e câncer

As taxas de obesidade no mundo triplicaram desde 1975. Em 2016, mais de 1,9 bilhão de adultos (com 18 anos ou mais) estavam com sobrepeso e 650 milhões eram obesos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Caracterizada pelo acúmulo de gordura corporal, ela é considerada doença crônica e multifatorial, isso significa que é ocasionada por fatores genéticos, metabólicos, sociais, psicológicos e ambientais. Com números tão expressivos, a doença ganhou status de epidemia.

No Brasil, 54% da população está acima do peso e, desse valor, a obesidade atinge 18,9%. Entre as crianças de 5 a 9 anos, 33% estão com sobrepeso e 15% são consideradas obesas, segundo dados do Ministério da Saúde. "Ao ingerir mais calorias do que gasta, o indivíduo ganha peso. O tipo de alimento ingerido e as atividades realizadas ao longo do dia influenciam nessa conta. Há uma relação direta entre alimentação saudável, atividade física e peso dentro da normalidade", reforça Dra. Ariane Macedo, cardio-oncologista e membro do comitê científico do Instituto Lado a Lado pela Vida.

A doença pode ser classificada como endógena, quando causada por questões genéticas, por alterações hormonais ou por medicamentos e, como exógena, quando ligada à ingestão excessiva de calorias - sedentarismo, má-alimentação e fatores psicológicos contribuem para o ganho de peso nesse caso. O Índice de Massa Corporal (IMC) é um dos parâmetros validados pela OMS de classificação da obesidade - o diagnóstico, porém, precisa de exames complementares e ser confirmado por um médico.

Calcule seu IMC

O estilo de vida moderno está diretamente relacionado com o aumento da obesidade no mundo. As mudanças no padrão da alimentação são apontadas, por especialistas, como uma das explicações para esse aumento. Trocou-se a alimentação tradicional de cada país - mais saudável, com cereais, verduras e carnes - por alimentos ultraprocessados, que são ricos em gorduras, sal e açúcar e pobres em nutrientes. Com a correria do dia a dia, é mais fácil comprar comidas prontas, comer fora ou preparar congelados, hábitos que contribuem para os números cada vez mais alarmantes da obesidade no Brasil. "As famílias precisam se conscientizar porque elas possuem papel fundamental na formação dos hábitos alimentares. É preciso descascar mais e desembalar menos", analisa Dra. Ariane.

Outro ponto decisivo é o sedentarismo, afinal, consome-se mais calorias e gasta-se menos. Recomenda-se ao menos 150 minutos por semana de atividade física de intensidade moderada. A falta de tempo não pode ser uma desculpa para se movimentar. Pequenas mudanças nos hábitos do dia a dia podem fazer a diferença. Que tal trocar o elevador pelas escadas; dispensar o carro sempre que possível; levar seu cachorro para passear ou descer alguns pontos antes e caminhar até o trabalho? A sua saúde vai te agradecer por isso!

Obesidade como fator de risco

O sobrepeso e a obesidade são fatores de risco para outras doenças crônicas, como diabetes, e doenças cardiovasculares e até mesmo o câncer. "A obesidade é também fator de risco para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como o de intestino e próstata, nos homens, e de câncer de mama, ovário e endométrio, nas mulheres", afirma a cardio-oncologista Dra. Ariane Macedo.

Há evidências de que o alto índice de massa corporal (IMC) está associado com o aumento de pelo menos 14 tipos de neoplasias, como os de mama, cólon, reto, útero, vesícula biliar, rim, fígado, mieloma múltiplo, esôfago, ovário, pâncreas, próstata, estômago e tireoide. Esses tipos de câncer correspondem a quase a metade dos casos diagnosticados no Brasil.

Um estudo publicado em abril de 2018, na revista Cancer Epidemiology, com o título The increasing burden of cancer attributable to high body mass index in Brazil, afirma que pelo menos 15 mil casos de câncer (3,8%) diagnosticados em 2012 poderiam ter sido evitados com a redução do excesso de peso. Até 2025, 640 mil novos casos de câncer devem ocorrer no país, mais de 29 mil casos - 18.837 em mulheres e 10.653 em homens - associados à obesidade e ao sobrepeso. O estudo foi feito pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em colaboração com a Universidade de Harvard, dos Estados Unidos.

Segundo o estudo Proportion of cancer cases and deaths attributable to lifestyle risk factors in Brazil, realizado também pela USP em colaboração com Harvard, com apoio da Fapesp e publicado em fevereiro de 2019 na mesma revista, a redução de cinco fatores de risco relacionados aos hábitos de vida poderiam evitar, por ano, 114 mil casos de câncer e 63 mil mortes no país. Os fatores de risco considerados são tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, alimentação não saudável e falta de atividade física.

A ligação entre o excesso de peso e doenças cardiovasculares é bem conhecida.  Com o aumento de acúmulo de gordura no coração, o risco de entupimento das veias e artérias passa a ser maior e, consequentemente, o de infarto também. O aumento da glicemia, que pode ser causado pela diabetes ou pela síndrome metabólica, pode aumentar a rigidez do músculo cardíaco. Fora isso o consumo excessivo de carboidratos e gorduras é uma das causas do colesterol alto, que aumenta o risco de problemas cardiovasculares.

Por ser uma doença crônica, a obesidade não tem cura, mas pode ser controlada. O controle vai além dos padrões de beleza impostos e não deve estar associado à busca pelo corpo perfeito. Ele está relacionado com a qualidade de vida e prevenção e promoção da Saúde, bandeiras do Instituto Lado a Lado pela Vida.

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