Prática de atividade física exige nutrição especial

Prática de atividade física exige nutrição especial

O corpo de quem pratica atividade física recebe estímulos diferentes - e, portanto, tem necessidades diferentes - de quem não faz exercícios. Para quem é atleta, os estímulos são maiores ainda. É por isso que a alimentação deve ser adequada a cada necessidade, como explica Mirtes Stancanelli. A nutricionista é membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, coordenadora do Departamento de Saúde e Performance da Associação Atlética Ponte Preta e nutricionista da Equipe Brasileira de Basquete que vai disputar as Olimpíadas e também da Goal Ball Paralímpico, além de atender atletas olímpicos de vôlei feminino e masculino e de tênis.

"O atleta recebe estímulos programados. Os estímulos do atleta são pesados, intensos. Como se levasse o corpo ao estresse para aumentar a resiliência e conseguir suportar os próximos treinos", explica Mirtes. "Por isso, existe uma programação nutricional para que ele melhore a condição física dele".

Segundo a nutricionista, o estresse rotineiro provocado pelos treinos promove a necessidade de quantidades energéticas maiores. A nutrição vai repor a perda nos treinos. "No caso do atleta que recebe estímulo de treino programado, a alimentação aumenta na mesma proporção do consumo de energia, para que o corpo não fique suprimido e saiba que parou de treinar. Sugerimos pratos específicos para aumentar a energia, mas a quantidade de nutrientes é a mesma".

Mirtes explica que a programação leva em conta pelo menos seis grupos de nutrientes: carboidratos, lipídeos, proteínas, vitaminas, minerais e água. Como exemplo, cita um treinamento no sol intenso, que leva a grande perda de peso. "O organismo entende que desidratou e é preciso repor esse nutriente para voltar ao equilíbrio. Se perder muita água, não vai conseguir equilibrar a temperatura corporal".

Uma alerta importante: qualquer desequilíbrio atrapalha a performance e o reequilíbrio melhora a performance.

 

Equilibrar a alimentação

A nutricionista avisa que muitas pessoas erram na hora de equilibrar as proteínas. Ela deve ser adequada ao nível de treino, pois sua falta gera danos à musculatura e ao sistema de defesa do organismo. "Os danos maiores são para os praticantes de atividade física intensa mais rotineira. A proteína vem para recuperar a estrutura".

E Mirtes faz um alerta: "Mas não é para comer proteína o tempo todo.  Precisa adequar à atividade, para que não perca peso. Se ficar em quantidades de proteínas maiores, também pode atrapalhar a recuperação do corpo. É um perigo. Se considerar a alimentação do brasileiro, muitas vezes tem que ajustar para baixo a proteína que a pessoa já consome".

A sugestão da nutricionista para quem pratica atividade física é consumir três porções pequenas de proteína. Exemplo: tomar leite pela manhã, ingerir uma porção de carne no almoço e outra no jantar. "Pode ser que três porções estejam adaptadas para a atividade física. Depende da intensidade, frequência e estilo".

Como saber que a proteína está adequada e suficiente? Mirtes dá dica dos sinais que o corpo envia.

  • Sinais de boa proteína no corpo: sistema imune está bom - mesmo quando a pessoa fica no ar condicionado, por exemplo, não fica doente
  • Intestino bom:  nem preso nem solto
  • Não tem aftas nem apresenta herpes
  • Mantém a integridade da pele
  • Peso estável - aumentar e diminuir é problema
 

Dicas para quem pratica atividade física melhorar a nutrição:

  • Ingerir probióticos para melhorar o funcionamento intestinal - presente em leites fermentados, produtos orientais à base de soja, legumes e verduras.
  • Melhorar o consumo de alimentos anti-inflamatórios ou antioxidante - frutas vermelhas, limão, alimentos alaranjados, cítricos. Basicamente verduras, legumes e frutas.