Reabilitação pós AVC é fundamental para minimizar sequelas

Reabilitação pós AVC é fundamental para minimizar sequelas

Em janeiro de 2015, a dona de casa Elza Bonfim, 51 anos, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) enquanto caminhava pela casa em Itanhaém, litoral de São Paulo. Elza se lembra apenas da queda, no chão da cozinha. O episódio, diferente da maioria dos casos de derrame, não veio acompanhado dos sinais clássicos. 

Mas o alerta, ainda que silencioso, vinha de muito tempo. A dona de casa era fumante, tinha colesterol alto não controlado e os níveis de estresse elevados por conta do estilo de vida. O desmaio, provocado pelo AVC, foi resultado destes fatores de risco relacionados aos hábitos de vida que, segundo pesquisa, respondem por mais de 90% dos eventos de Acidente Vascular Cerebral. 

Depois de 20 dias internada, sete deles na Unidade de Terapia Intensiva, começava a etapa mais importante da sua recuperação. Com sequelas motoras do lado esquerdo do corpo e dificuldades com a fala, Elza foi encaminhada para um programa de reabilitação.

Acidentes vasculares do tipo isquêmico, como o que sofreu, geralmente deixam sequelas graves que vão desde perda de memória e fala até paralisia de um lado do corpo e dificuldade para comer e engolir a própria saliva. A reabilitação feita precocemente e de forma contínua aumenta as chances de reverter essas complicações.

A possibilidade de reverter uma sequela depende do comprometimento das áreas afetadas pelo derrame e o tempo de resposta ao acontecimento. No entanto, independente da gravidade, a reabilitação é fundamental para todos os pacientes, mesmo àqueles com as chamadas sequelas definitivas. "Na grande maioria dos casos de Acidente Vascular Encefálico há sempre uma melhoria das sequelas em algum grau. Alguns ficam completamente normais", explica o cardiologista Nelson Araújo.

O objetivo principal da reabilitação é desenvolver o potencial para que o paciente se torne o mais independente possível, retomando a sua rotina e a qualidade de vida. Foi o que aconteceu com Elza. Depois de um intensivo de 30 dias com fisioterapeutas e fonoaudiólogas no hospital, ela passou a fazer a recuperação por conta, com orientação de seu médico. Hoje, faz pilates, hidroginástica, musculação, fisioterapia e terapia ocupacional.

Um ano e meio após o ocorrido, ela comemora os resultados da dedicação ao programa de reabilitação. Quase 100% recuperada, consegue realizar todas as tarefas e já voltou até a dirigir. Além do comprometimento com o tratamento, a dona de casa parou de fumar e passou a controlar os níveis de colesterol com atividades físicas. "Meu médico me disse: 'ou você faz isso ou vai ter um segundo AVC'. Aí não tive dúvidas", relata.

Felizmente para ela e para outros que tiveram o mesmo problema, a reabilitação em casos de AVC evoluiu muito e hoje, com equipes multidisciplinares - de fisioterapeutas, fonoaudiólogos neurologistas e nutricionistas -, promove avanços, maiores ou menores, em grande parte dos casos.