Câncer do colo do útero acomete mulheres mais jovens e com vida sexual ativa

Câncer do colo do útero acomete mulheres mais jovens e com vida sexual ativa

Câncer do colo do útero, câncer do colo uterino ou cervical, não importa como você chama. O que importa mesmo é que apesar de ser um tumor quase 100% prevenível, ele ainda ocupa o 2º lugar no ranking de incidência mundial e 4º lugar de causa de morte por câncer no Brasil. O principal fator do risco para este tipo de câncer está relacionado à falta de realização dos exames preventivos de Papanicolau, que são oferecidos na rede particular e nas Unidades Básicas de Saúde.

Ainda muito controverso, a frequência do exame divide opiniões na área da saúde. Alguns especialistas indicam a periodicidade anual e instituições do setor, como o INCA, recomendam a realização a cada três anos, com os dois primeiros exames num prazo anual. Causado em sua maioria pela contaminação com o vírus do HPV, o câncer do colo do útero acomete mulheres mais jovens e com vida sexual ativa. Os principais fatores de risco são hepatite B e C, HIV, vários parceiros sexuais e não uso de preservativos. Os fatores genéticos também podem incidir, mas em uma porcentagem bem menor.

Além de realizar o exame de detecção precoce, Papanicolau, deve-se estar atenta aos sintomas mais comuns da doença que incluem corrimento e sangramento com odor, dor abdominal, alteração do hábito intestinal e edema nas pernas. Qualquer alteração no corpo deve ser comunicada a um médico. Reconhecer os sintomas e se prevenir eleva para mais de 90% de chances de cura da doença em fase inicial. Com a extensão do câncer para além do útero, na pelve, essa taxa se reduz para 60%, e se disseminado pelo corpo, metástase, a doença se torna incurável.

Mas qual a relação do HPV com o câncer?

A infecção causada pelos vírus do HPV, na maioria das vezes, é controlada pelo próprio organismo. No entanto, algumas alterações podem se desenvolver e evoluir para um tumor, que pode ser identificado através do Papanicolau.

O HPV é muito comum e atinge 75% das mulheres sexualmente ativas. Hoje, há mais de 200 tipos diferentes do vírus.

Das mulheres contaminadas com o vírus, 95% produzem imunidade automaticamente e apenas 5% correm risco de desenvolver câncer do colo do útero. Ainda assim, a doença se mantém no topo da lista de responsáveis por óbitos em câncer.  

HPV sem exclusão de gêneros

A infecção pelo HPV não escolhe sexo ou idade. Para contrair a doença, basta ter vida sexual ativa e não estar protegido pela vacina. A vacina distribuída pelo Ministério da Saúde e aplicada em várias unidades de saúde particulares protege contra 4 tipos do vírus: 6, 11, 16 e 18. Ao total são mais de 200 modelos diferentes do vírus e 13 desses estão envolvidos no maior acometimento de câncer do colo do útero; cerca de 70% dos casos.    

Até 2016, a vacinação era voltada para o sexo feminino, em meninas e mulheres de 9 a 26 anos, com intervalos diferentes a cada faixa etária. Neste ano, postos de saúde de todo o País iniciaram a  vacinação contra o HPV de meninos entre 12 e 13 anos . A previsão é que a faixa-etária seja ampliada, gradativamente, até 2020, quando serão incluídos os meninos com 9 anos até 13 anos.

De acordo, com a Associação Americana para Avanços na Ciência (AAS), o sexo masculino apresenta o dobro de chances de desenvolver câncer de boca e garganta pela  infecção do HPV com a atividade do sexo oral.