Desconhecimento sobre HPV pode ser a principal causa da falta de adesão à prevenção entre jovens

Desconhecimento sobre HPV pode ser a principal causa da falta de adesão à prevenção entre jovens

Hoje, 40% dos pais e 37% dos adolescentes desconhecem que o HPV é uma DST. Reunidos para o Fórum especial sobre HPV na adolescência da Folha de São Paulo, especialistas apontam que a principal causa é falta de preparação dos pais em falar sobre educação sexual com os filhos. "Não estamos sabendo conversar com os adolescentes e a prevenção também depende do nosso comportamento", alerta a infectologista Rosana Richtmann. 

Cerca de apenas 60% dos adolescentes usam camisinha na primeira relação. Esse número cai ainda mais quando o parceiro se torna fixo, reduzindo para 30% os que continuam com o preservativo. O contato sexual sem proteção é uma porta aberta para as DST's como a AIDS, mais popular nos anos 90, e outras que estão voltando à tona como a sífilis e o HPV.     

Uma grande parte das pessoas têm ou terão contato com o vírus em algum momento da vida. Basta ter uma vida sexualmente ativa. Porém, a cada 10 pessoas que contraem o vírus, 8 delas não desenvolvem o HPV e tem a doença combatida e eliminada pelo próprio corpo. O restante desenvolve doenças causadas pelo vírus. O Papilomavírus Humano, HPV, é responsável por 90% dos casos de câncer de ânus, 90% dos casos de câncer de colo do útero e 70% das verrugas genitais.    

Relembrando: surtos em 2014

Após relatos de efeitos colaterais em meninas que tomaram a vacina em 2014 na cidade de Bertioga, a adesão ao tratamento sofreu um impacto nacional. Ao total foram 10 jovens que receberam as vacinas nas escolas, que até então serviam como postos de aplicação e davam apoio às unidades de saúde para a aplicação.  

A indicação da vacina não foi suspensa, mas enquanto na primeira dose houve 100% de adesão, as próximas doses (que custam em torno de R$ 400,00 cada na rede particular) que deveriam ser tomadas nos meses seguintes sobraram nas prateleiras das unidades de saúde.  

No mesmo ano, outros casos foram divulgados pelos país, mas nenhum confirmou suspeita da segurança da vacina. Pelo contrário. Especialistas garantem a eficácia na prevenção de alguns subtipos do vírus e na baixa lista de reações adversas. 

Como falar sobre educação sexual?

"Não falamos sobre sexo nas salas de aula ou em casa, mas os adolescentes conversam sobre isso nos corredores e nos banheiros", exalta Albertina Duarte Takiuti, coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo. Para ela, uma das formas de prevenção é informar. Uma relação de confiança com os pais seria o primeiro caminho para evitar as DST's e suas consequências como o câncer do colo do útero. 

Uma dica da especialista aos pais é tentar perceber qual o nível de entendimento da criança ou adolescente sobre o tema e não se esquivar da resposta. Caso não saiba como abordar o assunto, é aconselhável procurar um psicólogo ou apoio na escola.