HPV pode estar associado a 20% dos casos de câncer de boca e garganta

HPV pode estar associado a 20% dos casos de câncer de boca e garganta

Hábitos de beber e fumar aumentam em até 20 vezes as chances de desenvolver tumores de boca, faringe, laringe a amígdala, denominados cânceres de cabeça e pescoço. No entanto, nos últimos anos a infecção pelo HPV (Vírus do Papiloma Humano) tem contribuído com o aumento da incidência da doença.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), neste ano a estimativa é de 15 mil novos casos de câncer de cavidade oral (orofaringe, boca e garganta), 20% deles ligados ao HPV. 

Os tumores de cabeça e pescoço são o quarto tipo mais frequente entre os homens brasileiros. Em países da Europa e nos Estados Unidos o vírus é responsável por 70% dos cânceres de língua ou amígdalas.

A relação entre o HPV e o desenvolvimento deste tipo de câncer tem modificado a média etária de incidência da doença. Se há 20 anos os casos eram, predominantemente, entre pessoas acima de 50 anos, hoje, cada vez mais jovens e adultos até 40 anos têm sido diagnosticados com este tipo de neoplasia. 

"No paciente jovem, o HPV está relacionado principalmente aos cânceres de amígdala e terço posterior da língua", explica o oncologista Marcos André de Sá. Segundo o especialista, a estimativa é de que, até 2020, o HPV supere o álcool e o cigarro como principal causa do desenvolvimento de tumores de cavidade oral.

A prática de sexo oral sem proteção é apontada como principal fator de contaminação do HPV entre jovens. De acordo com o oncologista, não há evidências fortes de que a transmissão possa ocorrer pela saliva, através do beijo.

O tempo de incubação é de 1 a 2 meses e durante este período pode não manifestar sintomas, apesar de já ser transmissível. Estima-se que entre 25% e 50% das mulheres e 50% dos homens estejam infectados pelo HPV em todo mundo. Muitos destes casos são infecções transitórias, combatidas espontaneamente pelo sistema imune.

Prevenção
A campanha Julho Verde alerta para a importância da prevenção do câncer de pescoço e cabeça. Parte de seu objetivo é conscientizar a população sobre fatores de risco como o tabagismo e o consumo de bebida alcóolicas.

A vacina contra o HPV também é uma forma eficaz de se prevenir contra a doença. Ela é indicada para mulheres e homens entre 9 e 26 anos. Quando administrada antes do primeiro contato íntimo, a eficácia é de 100%.

A vacina adotada no SUS - chamada de quadrivalente - é altamente eficaz contra os tipos de HPV 6, 11, 16 e 18 - os tipos 16 e 18 são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero em todo mundo e os tipos 6 e 11 respondem por 90% das verrugas genitais.

Mesmo tomando a vacina, é necessário usar preservativo em todas as relações sexuais para evitar a contaminação com outros vírus do HPV, que apresenta mais de 150 tipos diferentes.

Diagnóstico precoce
As chances de cura destes cânceres, assim como de outros tipos de tumores, são maiores quando detectados precocemente. O especialista recomenda o autoexame para observar as regiões interna e externa dos lábios, boca, língua e bochechas, além do pescoço. "Gânglios no pescoço, dor para engolir, sensação de algo arranhando a garganta e sangramentos são sinais importantes", afirma o Dr. Marcos André de Sá.