O câncer de ovário no Brasil e no mundo e as principais novidades no tratamento

O câncer de ovário no Brasil e no mundo e as principais novidades no tratamento

A melhor forma da mulher aprender a se cuidar é se conhecer. Por isso a médica oncologista clínica membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, Graziela Zibetti Dal Molin, começou falando do aparelho reprodutor feminino no workshop que lançou a campanha da entidade para combater o câncer de ovário, no dia mundial de combate à doença, 8 de maio.

Moderadora do evento, dra. Graziela apresentou dados epidemiológicos do Brasil e do mundo, mostrando que a maior incidência se dá especialmente em países desenvolvidos. "Mesmo nesses países, a mortalidade é alta, o que mostra que a doença é bastante agressiva e exige mais esforços". Estima-se que sejam diagnosticadas anualmente quase 250 mil mulheres no mundo com câncer de ovário - esse tumor é responsável por 140 mil mortes por ano.

No Brasil, a maior incidência de câncer de ovário se dá nas regiões Sul e Sudeste. A médica explica que esse fato está ligado aos principais fatores de risco. "O principal é a história familiar - se a mãe, tia, uma parente próxima teve; há fatores relacionados às questões hormonais, como menopausa tardia, endometriose, obesidade, tabagismo, o fato de não ter filho e gestação tardia".

Para dra. Graziela, como não há exame de prevenção efetivo, o quadro é arrastado e não se relaciona o sintoma com uma doença mais grave, demorando para buscar auxílio médico. "O Papanicolau é usado para prevenção de câncer de colo de útero, não ovário", alerta. Ela explica que a pílula tem demonstrado que pode reduzir o risco de câncer de ovário, mas não deve ser usada para todos os casos, já que tem efeitos colaterais. Só é indicada pelo médico quando há risco - para detectar é feito o aconselhamento genético.

Entre os sintomas da doença a oncologista destaca: dor abdominal, emagrecimento, aumento do volume do abdome, massa pélvica, alteração menstrual e sangramento vaginal, azia, flatulência, alterações intestinais - constipação, aumento da micção. O diagnóstico é feito com exame transvaginal pélvico, ressonância e tomografia do abdome total e exame de sangue CA 125.

"No estadio 1, a chance de cura é de 90%; no estadio 3, menos de 20%", avisa a médica, que falou também dos benefícios dos novos tratamentos em comparação com a quimioterapia que, conforme explica, infelizmente tem muitos efeitos colaterais. "As novas drogas têm foco pontual, matando apenas as células doentes".

Outra vantagem das drogas alvo é que são orais, tirando o estigma da quimioterapia que necessita de punção, cateter. A paciente pode tomar em casa, têm boa tolerância e poucos efeitos colaterais. "Ainda não falamos em cura, mas de transformar em doença crônica com qualidade de vida".

Dra. Graziela informa que estão chegando novas drogas ao Brasil, chamadas de inibidoras da PARP. "A PARP é uma enzima que atua no gene BRCA. A inibição dessa enzima leva à morte das células tumorais, e consequentemente controla a doença. Existem outros mecanismos que fazem o tumor se desenvolver, mas no câncer de ovário esse é um mecanismo que está sendo bastante estudado".

A oncologista comentou também sobre os avanços da imunoterapia, que estimula o próprio sistema imune da paciente a desenvolver anticorpos. "Ainda não é uma realidade para o câncer de ovário, mas há estudos".

Para Graziela, um futuro melhor para o câncer de ovário precisa incluir busca por métodos de diagnóstico, investigação de exames e tratamentos personalizados, inclusão de teste genético e incorporação de novas drogas que vão garantir mais qualidade de vida.