Um remédio para todos versus Medicina Personalizada

Um remédio para todos versus Medicina Personalizada

 

 

"A medicina personalizada é a evolução da medicina atual, não só no tratamento, mas na prevenção e detecção precoce", afirmou o Dr. Marcelo Cruz no I Fórum sobre Medicina Personalizada, que aconteceu no dia 15 de agosto em Brasília. Na oncologia, representa uma importante quebra de paradigma, que abandona a abordagem "one-size-fits-all" - medicina "tamanho único" - e inaugura um modelo individualizado, que busca tratamentos customizados e adequados para cada paciente, através das novas tecnologias e estudos genéticos.

A eficácia desta abordagem personalizada, apesar de ser recente na prática médica, fora descrita ainda nos primórdios da medicina. Hipócrates, considerado por muitos 'pai da medicina', afirmava que "é mais importante saber que tipo de pessoa a doença tem do que saber que tipo de doença a pessoa tem".

Em 2003, quando o sequenciamento genômico foi então concluído, após 14 anos de pesquisas, o custo para realizar o teste era de aproximadamente 100 milhões de dólares. Dez anos depois, testes genéticos já eram feitos com custo de 3 a 5 mil dólares. Para Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), essa revolução só é possível graças à rápida evolução das tecnologia de informação. "Os avanços são grandes, mas ainda é uma revolução em início", ponderou. "Temos que aprender a trabalhar com toda essa informação disponível", concluiu.

Segundo a oncologista Carolina Kawamura, a dificuldade para saber o que fazer com a informação que o teste genético oferece ainda é um grande desafio mesmo no sistema privado. "Essas informações disponíveis podem mudar a história natural da doença, tempo de sobrevida e efeitos colaterais dos tratamentos." A escassez de patologistas no país, por exemplo, é um dos complicadores que limitam o aproveitamento da Medicina Personalizada na prática médica.                    

"Não existe Medicina Personalizada sem equipe multidisciplinar", reforçou a coordenadora do Departamento de Anatomia Patológica do Hospital Sírio Libanês, Renata Coudry. "Patologistas radiologistas, oncologistas devem discutir em conjunto como atuar no tratamento daquele tumor". Para ela, a telemedicina, processo avançado de análise de resultados de exames e diagnósticos de forma digital, pode ser um dos caminhos para suprir a falta de profissionais da área.

Além da telemedicina, a ex-diretora da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Martha Regina de Oliveira, ressaltou alguns pontos imprescindíveis para aproximar essa nova abordagem à realidade da Saúde no Brasil, como a implantação de prontuários eletrônicos, o compartilhamento de informações entre profissionais de saúde e informação de qualidade e orientada ao paciente.