O momento em que um paciente recebe a confirmação de diagnóstico para câncer de próstata representa, também, a nova etapa de uma jornada. É a partir desse resultado que, junto com uma equipe de profissionais de saúde e sua rede de apoio, devem ser discutidas as opções de tratamento para obter a cura ou reduzir os sintomas provocados pela doença.
Essas decisões devem levar em consideração o perfil do tumor – que pode ser de baixo a alto risco, idade do paciente e suas condições gerais de saúde, histórico familiar para câncer, se o tumor está localizado na próstata ou se apresenta metástase. É a avaliação individual que vai permitir que o paciente e seu médico estipulem qual a melhor opção de tratamento, considerando os prós e contras de cada metodologia.
De forma geral, boa parte dos pacientes com câncer de próstata deve se beneficiar das seguintes opções: radioterapia, cirurgia, ou terapia hormonal. Esses tratamentos podem ser utilizados de forma isolada ou combinados.
No procedimento cirúrgico, é mais frequente a retirada total da próstata, chamado de prostatectomia radical. Na ocasião, também são removidas as estruturas próximas da glândula. A cirurgia robótica apresenta melhores resultados, dada sua precisão, além de oferecer uma recuperação mais rápida ao paciente e menor incidência de efeitos colaterais que, entre os mais comuns, estão a incontinência urinária e a disfunção erétil. No entanto, apesar dos avanços, a cirurgia robótica ainda não está ao alcance de toda população, dado seu alto custo.
Entre as opções de radioterapia, procedimento em que radiação ionizante é direcionada para as células do tumor, as mais comuns são a radioterapia externa e a que é colocada dentro do corpo, de forma permanente ou temporária, a braquiterapia. Seus efeitos colaterais podem ser os mesmos da cirurgia, com intensidade e duração variáveis a depender da periodicidade do tratamento. Além disso, a radioterapia também pode ser aplicada após o procedimento cirúrgico na próstata, caso seja necessário.
Pesquisas recentes já sugerem que, nos casos de câncer de próstata localizado, a radioterapia apresenta resultados iguais ou superiores ao procedimento cirúrgico. Um estudo envolvendo 556 pacientes comparou a prostatectomia radical com a radioterapia de altas doses através do emprego da IMRT (Radioterapia de Intensidade Modulada). Essa pesquisa aferiu que, para os pacientes com câncer de próstata localizado e de alto risco, houve um aumento na sobrevida livre de recaída bioquímica. A diferença foi de 38,4% versus 62,2%, favorecendo a IMRT.
Outro estudo, que avaliou 487 pacientes no período de 2000 a 2013, indicou que os tratamentos complementares devido à recidiva da doença local ou sistêmica foram realizados com mais frequência nos pacientes que haviam sido submetidos a prostatectomia radical, quando comparados com pacientes tratados com radioterapia externa ou com radioterapia externa associada à hormonioterapia.
Esses dados reforçam a importância do acompanhamento periódico do paciente, bem como o diagnóstico em fases iniciais. Quanto mais cedo for identificado o tumor na próstata, maiores as chances de remissão total da doença e menores os efeitos colaterais provocados pelo tratamento.