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Câncer de rim

O que é?

Em todo o mundo, cerca de 3% dos cânceres que acometem os adultos têm origem nos rins. Cada pessoa possui dois rins (direito e esquerdo), que se situam no abdômen ao lado da coluna vertebral e abaixo das costelas.

Eles são os principais filtros do corpo humano, sendo responsáveis por expelir por meio da urina as toxinas prejudiciais ao organismo, além de eliminar os excessos de água, sódio, potássio e outros íons. Também auxiliam na produção da hemoglobina, proteína que transporta oxigênio pelo corpo.

O câncer de rim é duas vezes mais comum nos homens do que nas mulheres e atinge com mais frequência pessoas entre 55 e 75 anos de idade.

O tipo mais prevalente é o carcinoma de células claras ou renais, que se origina nos rins e pode se espalhar pelo corpo. Esse carcinoma pode se desenvolver como uma massa única dentro de um rim ou em ambos e, em alguns casos, podem ocorrer dois ou mais tumores nos órgãos. Há também o carcinoma papilífero, que é considerado mais grave e corresponde a 15% dos casos.

A evolução desse tipo de câncer é variável. Há pacientes em que a doença evolui de forma lenta durante anos. Em outras pessoas, apresentam crescimento rápido e disseminação em poucos meses.

Em fase inicial, o tumor ainda é pequeno e fica confinado no próprio órgão. Já em um estágio mais avançado, as células malignas podem migrar para os linfonodos vizinhos e cair na circulação sanguínea. Sendo assim, ganha acesso a todos os órgãos (metástase).

As causas do câncer de rim ainda não foram totalmente esclarecidas. Mas sabe-se que algumas alterações genéticas podem causar o carcinoma.

Tumor de Wilms

O Tumor de Wilms (também conhecido como Nefroblastoma) é um tumor maligno originado no rim. É o tipo de tumor renal mais comum na infância e pode acometer um ou ambos os rins. Algumas síndromes genéticas podem estar associadas a um maior risco de desenvolver a doença.

Na maior parte das vezes, o estado geral da criança com Tumor de Wilms é bom. Em casos mais graves, podem ocorrer metástases principalmente para o pulmão.

Esse tipo de tumor pode ser evidenciado apenas como massa palpável no abdome ou apresentar outros sintomas associados, como infecção urinária, sangue na urina (hematúria), pressão alta (hipertensão arterial), e/ou dor abdominal.

Sintomas

Em estágios iniciais, o câncer de rim não costuma apresentar sintomas. Quando surgem, os mais comuns são:

  • Sangue na urina: ocorre devido ao rompimento dos vasos sanguíneos da massa do tumor. O sintoma está presente em 40% a 50% dos pacientes.
  • Dor persistente na região lombar. Os rins localizam-se na parte mais profunda do abdome e, conforme o tumor cresce, pode ocorrer uma pressão na coluna.
  • Perda repentina de peso.
  • Cansaço constante.
  • Palidez.
  • Febre.

Quando a doença avança, pode surgir aumento do volume abdominal, inchaço nas pernas, falta de ar, tosse e dores ósseas ou fraturas, além de dor de cabeça, tontura, visão dupla e perda da força muscular de um dos lados do corpo.

Fatores de risco

Os rins são órgãos vitais e de extrema importância para o funcionamento do corpo. As causas do câncer renal, como na maior parte dos tumores, ainda não são totalmente conhecidas. Podemos, desta forma, destacar os seguintes fatores de risco:

  • Gênero: homens são mais propensos a desenvolver tumores renais do que as mulheres.
  • Hipertensão: pessoas com pressão arterial elevada têm mais chances de desenvolver o câncer de rim.
  • Histórico familiar: quem possui parentes de primeiro grau com histórico de câncer dos rins tem maior probabilidade de desenvolver a doença.
  • Obesidade: pessoas que estão acima do peso apresentam alterações hormonais que podem aumentar as chances de desenvolver um câncer renal.
  • Raça: pessoas com a cor de pele negra têm uma incidência um pouco maior de câncer de rim.
  • Síndromes genéticas: algumas doenças genéticas podem causar tumores renais malignos. A mais comum é a von Hippel-Lindau, que é responsável por 1% a 2% desse tipo de câncer.
  • Tabagismo: quem fuma aumenta as chances de desenvolver câncer de rim. Isso ocorre porque a fumaça inalada do tabaco é absorvida pelos pulmões e chega à corrente sanguínea. Os rins filtram o sangue e absorvem as substâncias cancerígenas.

Prevenção

Pessoas com membros na família com síndromes genéticas raras devem consultar o médico com regularidade à procura de possíveis tumores.

Como prevenção, a melhor estratégia é manter hábitos saudáveis:

  • Pare de fumar: as toxinas presentes no cigarro podem causar alterações no DNA das células e levar a desenvolvimento de tumores
  • Procure ter uma dieta balanceada, dando preferência a frutas, legumes, verduras, fibras e cereais
  • Pratique atividades físicas regularmente. Os esportes ajudam a eliminar toxinas do organismo que lesionam as células
  • Controle a pressão sanguínea
  • Evite contato com substâncias tóxicas, como poluentes. Se trabalhar com esses produtos, use equipamentos de proteção.

Diagnóstico

Na consulta inicial para o processo de diagnóstico do câncer de rim, é realizada uma avaliação do histórico clínico e identificados os sintomas principais, fatores de risco e histórico familiar.

Em seguida, pode ser realizado um exame físico completo, incluindo uma avaliação cuidadosa da região abdominal para detectar alguma anormalidade.

Conheça alguns exames para a detecção do câncer de rim:

  • Tomografia computadorizada: além de fazer o diagnóstico da doença, é bastante útil no seu estadiamento (verificação da extensão do tumor para outros órgãos) e no planejamento da terapêutica mais adequada.
  • Ultrassonografia: pode ser útil para identificar se uma massa renal é sólida ou se está preenchida com líquido. Os padrões de resposta produzidos pela maioria dos tumores nos rins têm aparência diferente dos de tecido renal normal.
  • Radiografia de tórax: serve para avaliar o acometimento dos pulmões em decorrência de alterações nos rins, sendo que em alguns casos, ela pode ser utilizada para uma avaliação mais minuciosa.
  • Ressonância nuclear magnética: é raramente utilizada na avaliação destes tumores, e só é realizada em situações muito específicas.

É bom saber: quando os exames solicitados pelos médicos revelam a presença de nódulos sólidos ou de uma massa no interior do rim, provavelmente trata-se de um tumor maligno. Sendo assim, raramente a biópsia é indicada antes de ser realizada a cirurgia.

A biópsia renal pré-operatória normalmente não é realizada, e só é necessária em situações excepcionais, a fim de se diferenciar lesões malignas de benignas, as quais não necessitariam de tratamento.

Tratamento

O tipo de tratamento para o câncer de rim varia de acordo com o estádio do tumor (extensão do câncer). Na fase inicial, ocorre a retirada do rim (nefrectomia radical), podendo ser realizada por meio de incisão abdominal ou pelas costas, ou por via laparoscópica. Há também a possibilidade de nefrectomia parcial, onde se retira o tumor, mas sem a necessidade de remover o rim.

Em tumores pequenos, a radiofrequência e a crioterapia também são procedimentos utilizados. Em ambos os casos, o câncer é alcançado com uma espécie de agulha introduzida pela pele, guiada por ultrassonografia ou tomografia computadorizada. Na primeira técnica, há aumento da temperatura do tumor e, na outra, congelamento.

Em fases mais avançadas, indica-se o tratamento com imunoterapia (que promove a estimulação do sistema imunológico por meio de medicamentos que modificam a resposta biológica do organismo).

Esse tratamento pode ser combinado com cirurgia para retirar metástases em determinadas localizações, como pulmões, fígado e cérebro. Quimioterapia e radioterapia não são eficazes nesse tipo de tumor em pacientes com a doença metastática (câncer que já se espalhou por outras partes do corpo).

Perguntas frequentes

  1. Quais são os principais sintomas do câncer de rim?
    Os principais sintomas do câncer renal são sangue na urina, dores lombares concentradas em um dos lados, fadiga, perda de peso, febre, inchaço nos tornozelos e pernas e caroços na lateral ou na parte inferior das costas. É importante ressaltar que alguns desses sintomas podem ser encontrados em outras doenças. Por isso, é fundamental procurar um médico tão logo esses sinais se manifestem.

  2. Existe prevenção para o câncer renal?
    Muitos casos de câncer têm origem hereditária, ou seja, o paciente apresenta uma predisposição genética para desenvolver a doença. Nesses casos, é muito difícil realizar uma prevenção segura. O que é possível para todos os pacientes é reduzir os riscos. O tabagismo, a obesidade e a hipertensão estão entre os principais fatores de risco dos tumores renais. Desta forma, não fumar, manter o controle do peso, e se habituar a uma alimentação balanceada, além de praticar exercícios físicos regularmente, são algumas ações cotidianas que podem reduzir significativamente os riscos de desenvolver a doença.

  3. Qual é o tratamento do câncer renal?
    Frequentemente os pacientes precisam da combinação de dois ou mais tipos de tratamento. Os principais são: cirurgia por meio de incisão abdominal ou pelas costas, ou ainda por via laparoscópica, imunoterapia, radiofrequência e crioterapia.  Radioterapia e quimioterapia não costumam apresentar bons resultados contra esse tipo de tumor, principalmente em pacientes com câncer de rim em estágio avançado. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maior será a efetividade desses tratamentos e maior a chance de remissão.

  4. A cirurgia para tratamento do câncer de rim tem efeitos colaterais?
    Como toda grande cirurgia, há a possibilidade de efeitos colaterais, mas é importante ressaltar que estes dependem das condições de cada paciente. Os principais efeitos colaterais registrados são: sangramentos durante a cirurgia ou no pós-operatório, o que pode resultar na necessidade de transfusões de sangue; danos a órgãos internos e/ou vasos sanguíneos durante a cirurgia; presença de ar dentro da cavidade torácica (pneumotórax); hérnia incisional, que pode ocorrer na maioria dos procedimentos cirúrgicos; e insuficiência renal.

  5. No câncer de rim é necessária a extração total do órgão?
    Existem vários tipos de cirurgia para tratamento do câncer renal, e a mais adequada deve ser determinada de acordo com a situação de cada paciente. Há casos que envolvem a extração parcial do órgão, e outros que necessitam da remoção total. Neste último caso, a maioria das pessoas vive normalmente com apenas um rim, desde que este esteja saudável.

Fontes de consulta

INCA

– https://www.inca.gov.br

Atualizado em 08/2020
Pesquisado em 23/02/2021

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