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Começou a retomada

Muitas pessoas aproveitaram o tempo do confinamento em casa para cumprir dieta e fazer ginástica, com invejável disciplina. Alguns fizeram cursos de yoga e seguiam cotidianamente aulas na frente de um monitor ou pelo celular. Outros levantavam latas de molho de tomate usando-as como peso para tonificar bicípites e tricípites. A maioria dos meus conhecidos malhava assistindo monótonas lições em redes sociais e contava a façanha com orgulho. Eu ficava admirada com tamanha constância. Bem que tentei, confesso, mas não tive a mesma força de vontade.

Depois de 6 meses de zero exercício, em setembro havia ganhado 6 kg e me sentia decididamente barriguda e cansada. Fui logo pensando que a culpa era da Tireoidite de Hashimoto, que a dose do remédio era pouca e tinha que aumentar. O que inventei para remover o arrependimento por ter ficado tanto tempo parada.

Aproveitei que já estava na hora, marquei com antecedência o laboratório e pedi a bateria completa de exames: hemocromo, colesterol, tireoide, marcadores tumorais, tudo o que tinha direito. O check-up semestral de controle que todo mundo da minha idade e com um passado de câncer tem que fazer. Hoje, é mais tranquilo enfrentar esse momento. Nos primeiros tempos, 13 anos atrás, me debatia com uma grande tensão antes dos exames. Nem dormia direito nas vésperas. Depois, o medo foi passando. A prevenção fez em mim esse efeito, fui me acostumando. Entendi que ecografias, TACs, consultas e conversas com médicos iriam fazer parte da vida e que o oncologista iria inevitavelmente se tornar um amigo.

Desta vez, tudo estava bem no lugar, o alieno (é o apelido que dei ao estranho que teima em me assustar) não tinha voltado, e a tireoide está perfeita. Isto significa que a terapia está funcionando e estamos ganhando!

Ficou então evidente que o que faltava só dependia de mim. Se o estresse físico e mental era demasiado, aquela moleza pós-isolamento só podia ser resolvida de um jeito: tinha que me mexer. Trabalhando no centro da cidade e morando a 7 km de distância, adotei a bicicleta como meio de transporte. No meu percurso não existem ciclovias, mas o tráfego de Roma anda reduzido porque muita gente está trabalhando em casa. Assim, redescobri o prazer de descer as ladeiras da ida e chegar em casa suada depois da subida, na volta. Pedalar faz me sentir feliz porque economizo gasolina, poluo menos o nosso ar e me restitui lembranças de criança.

Outra decisão que estava adiando há tempos era a volta à academia. Reaberta finalmente, a que frequento (que sorte, a poucos metros de casa) admite 10 alunas por aula e só com prévia reserva através de um aplicativo. Antigamente, conseguia ir quase todos os dias e animada, fazia até duas aulas seguidas! Essa não pode mais ser uma meta para mim. Voltei apenas ao pilates, a minha favorita, abandonando a música alta, o step, pulinhos e danças. Não tenho coordenação e nem fôlego suficiente para dar saltos em velocidade com pesos nas mãos e em ritmo de rap! Em compensação, gosto de me esticar à vontade no tapetinho e respirar com o abdômen, de tentar o equilíbrio e descobrir a existência de músculos até então desconhecidos! Que delícia rever as companheiras e perceber de novo a pertença a um grupo de mulheres que quando se olham se entendem. Mais gordinhas e contentes.

Bem que adoraria voltar ao peso de pré-pandemia e encaixar direito nas roupas do meu armário. Acho que a vaidade a gente nunca deve perder, por uma questão de feminilidade e asseio.

Com a pandemia, muitas de nós nos descuidamos. Em algumas cidades, fomos também impedidas de acessar hospitais e seguir nos vigiando, fazendo prevenção. Agora que estamos um pouco mais reequilibradas emocionalmente, vamos retomar a atitude que precisa ser mantida sempre no topo da lista: cuidar da saúde de nosso corpo.

*Cristiane Murray é formada em administração de Empresas pela PUC-RJ. Vive na Itália, onde aprendeu a ser jornalista e por vários anos integrou a equipe brasileira da Rádio Vaticano. Envolvida em temáticas sociais e ambientais, participou de todo o processo do Sínodo para a Amazônia, realizado em 2019, tendo sido em seguida nomeada pelo Papa Francisco como vice-diretora da Sala de Imprensa da Santa Sé.

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