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COMO ASSIM, DR. FALCI?: o que esperar do futuro para o tratamento do câncer da próstata?

Chegamos em novembro e é impossível não lembrarmos do movimento Novembro Azul, criado no Brasil pelo Instituto Lado a Lado pela Vida em 2011 e, consequentemente, do câncer da próstata. Poucas são as doenças que assustam mais os homens, tanto pela sua prevalência, quanto pelos potenciais efeitos colaterais de seus tratamentos.

As três últimas décadas foram marcadas por grandes avanços no diagnóstico e tratamento do câncer da próstata. Nos anos 80, século passado, a descoberta do PSA (sigla em inglês para antígeno prostático específico) e posteriormente sua dosagem no sangue que permitiu que essa doença, até então diagnosticada nas fases avançadas, fosse identificada mais precocemente. Uma vez identificado ainda confinado à próstata (sem metástases), esse tipo de câncer passou a ser candidato ao tratamento local, com sucesso. Foi nesse panorama que se desenvolveu a prostatectomia radical (cirurgia da próstata para o tratamento do câncer), cuja anatomia cirúrgica foi bem descrita por Walsh e Donker, em 1982. Desde então essa cirurgia é o padrão ouro para o tratamento da doença localizada na próstata.

Nos últimos 30 anos, testemunhamos grande aprimoramento técnico dessa cirurgia, incluindo a agregação de tecnologia como magnificação de imagem, uso de material mais delicado e, recentemente,  a assistência de um robô cirúrgico, que ajuda no controle dos movimentos. Isso permitiu menor agressão cirúrgica e consequente diminuição do tempo de recuperação, não só de pós operatório imediato, mas também o restabelecimento mais precoce da continência urinária e da atividade sexual. Um grande avanço que permitiu aumentar a disponibilidade desse método.

No entanto, dois fatos ainda incomodam os médicos, que sonham com um tratamento quase perfeito para o câncer da próstata:

1 – Apesar da tecnologia incorporada na prostatectomia radical que, indiscutivelmente, agregou qualidade na cirurgia e benefício ao paciente, a cirurgia, em si, continua sendo muito semelhante à clássica prostatectomia radical padronizada por Walsh em 1982.

2 – Um grupo significativo de pacientes, que pode variar de 20 a 50%, de acordo com o subtipo de câncer, irá apresentar recidiva bioquímica (retorno da doença) após o tratamento localizado, seja com cirurgia ou com radioterapia.

Esse último dado, nos obriga a pensar, para o futuro, em um tratamento que atue de forma sistêmica (no organismo inteiro) e ao mesmo tempo seja bastante específico para não ter muitos efeitos colaterais, ou seja, que atue apenas nas células do câncer, estejam elas na próstata, ou espalhadas pelo organismo (metástases).

Com esse objetivo, cada vez mais os cientistas estão analisando a genética desse tumor, interesse que foi despertado a partir do conhecimento da história familiar da doença. Alguns genes já foram isolados e estão sendo associados com determinados subtipos de tumores.

Ainda longe do panorama ideal, onde cada paciente teria um remédio específico projetado para seu caso, a identificação desses padrões já nos permite direcionar certos grupos de pacientes para determinadas classes de medicamentos e, com isso, tentar correr um pouco mais na frente da doença. Não se trata ainda de uma descoberta “milagrosa”, mas de uma tentativa de individualização de tratamento, a partir do entendimento de que nem toda doença é geneticamente igual.

Certamente isso abre um campo enorme na perspectiva de tratamento desse tumor, complementando o tratamento local que, embora tenha evoluído a um grau técnico de excelência, ainda é insuficiente para levar a cura para todos os pacientes.

Ler mais sobre esse tema:

Nossa Agenda

03 a 26 Nov

Saúde do Homem

Exposição 10 anos Novembro Azul no Senado Federal

Local: Senado Federal / Redes Sociais LAL

Horário: A Confirmar