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COMO ASSIM, DR. FALCI? Qual será o futuro de nossas crianças?

A palavra inteligência tem origem no latim, vem de intellegentia (intelligere) que significa capacidade de entender. No entanto, definir inteligência parece mais complexo e talvez tenhamos que caminhar para a essência do ser humano.  Aristóteles definiu a inteligência humana como a habilidade para abstrair ideias a partir da mente passiva e o considerava o mais alto propósito do homem. Segundo esse filósofo, o que caracteriza a alma humana é a racionalidade, a inteligência e o pensamento, pelo que ela é espírito. Com isso, nos diferenciamos dos animais e nos elevamos à imagem e semelhança de Deus (Gen 1: 26-28).

Mensurar a inteligência é um grande desafio. Os testes mais conhecidos e usados são os testes de QI (coeficiente de inteligência), que surgiram há mais de 60 anos e vêm se aprimorando progressivamente, tornando-se cada vez mais complexos. A análise de seus resultados ao longo desse período permitiu a conclusão bastante aceita de que o QI vem aumentando de geração em geração. Tal conclusão é fruto da análise de múltiplos estudos com milhares de indivíduos, onde que se observou que, apesar do aumento da complexidade dos teste, a pontuação vem sem mantendo estável, ou seja, o desempenho vem crescendo. É o conhecido efeito Flynn, descrito por James Flynn, em 1982.

Entretanto, para nossa surpresa, no final de 2020, o neuro-cientista francês Michel Desmurget publicou um livro que rapidamente se tornou best seller, chamado “A fábrica de cretinos digitais”, demonstrando que, pela primeira vez a geração mais nova apresentou QI inferior ao da geração anterior. Embora seja precoce afirmar que isso signifique uma inversão de tendência, certamente nos coloca em situação de alerta e nos faz procurar por possíveis causas. Vamos a um histórico resumido da educação, um dos possíveis agentes causais, como bem explicado por Ayn Rand, no primeiro capítulo de sua obra “O retorno do primitivo”.

Até o século XII, não existiam escolas na Europa e a educação era feita através da tradição oral, dada pela família, facultativamente auxiliada por um tutor. Com o surgimento das escolas e posteriormente das universidades, parte da educação passou para essas instituições que, inicialmente concentraram-se em ensinar a pensar. E assim o sistema de ensino se manteve ao longo dos séculos, praticamente sem grandes alterações quanto à forma, apenas somando o conteúdo consequente ao acúmulo de conhecimento.

No início do século XX, o psicólogo suiço Jean Piaget propôs uma nova forma de ensino: o construtivismo. Esse método saiu dos livros e começou efetivamente ser colocado em prática na década de 80. Diferente do ensino tradicional, onde existe a figura do professor e do aluno, numa assimetria de conhecimento, no construtivismo, o aluno é colocado no centro e passa a ser conduzido para que absorva o conhecimento do meio.

Numa síntese bastante simples, defensores do construtivismo condenam o método tradicional por ser impositivo e opressor, enquanto que seus críticos afirmam que a criança, na perda da referência do professor, passa a ter como referência seu grupo coletivo, trocando uma referência boa (professor e/ou pais), por uma referência coletiva tão perdida, ansiosa e sem conhecimento quanto ela, aluno.

Mesmo sem entrar no mérito de detalhes quanto aos métodos de ensino, muitos menos da contaminação ideológica desse tema e, sabendo de toda a fragilidade dos estudos científicos, não deixa de haver pelo menos uma relação cronológica entre algumas mudanças nos métodos de ensino e a observação feita pelo cientista Michel Desmurget, alertando, de forma bem humorada e dura para a redução do QI das novas gerações, certamente expostas às mudanças na educação.

Se somarmos o dado que a inteligência humana tem um componente genético importante e que seu uso racional é dependente de aprendizado, podemos colocar mais motivo para lançarmos um olhar de atenção na educação.

Sem a pretensão de fazer qualquer afirmação mais condunte quanto a métodos educacionais,  mas observando a associação entre fatos e buscando interpretações, o dado apresentado por Desmurget, pela sua cronologia contextualizada nas mudança do sistema educacional, acende um alerta não só em relação a vários hábitos particulares do século XXI, frutos do mal uso da tecnologia, mas principalmente em relação a modelos educacional mais recentes, que podem, de alguma forma, impactar o uso pleno da razão, marca registrada do ser humano.

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