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Conte sua História

Confira relatos inspiradores de quem conviveu com o câncer de pulmão e entendeu o verdadeiro valor de nossa vida.

Os depoimentos abaixo foram retirados do livro Inspirar Esperança, idealizado pelo Instituto Lado a Lado pela Vida.

Foto: Marcello Zambrana

Olympio Pereira da Silva, Jr., 67 anos

“Fumei durante uns 40 anos e parei no dia que descobri que estava doente. Jamais senti coisa alguma. Como descobri? Senti um incômodo, achei que era coração, fui ao hospital e os médicos disseram: “Ministro, seu coração não tem nada. Agora, apareceu uma mancha branca”. “Mancha branca?”, perguntei.

Fiz o tratamento de um tumor maligno com 12 centímetros. Na radiografia, parecia um ovo estalado, com a gema. Comecei o tratamento: quimioterapia e radioterapia. Três meses depois, o câncer diminuíra quase 80%. No primeiro semestre de 2016, eu já não tinha mais nada.

Pedi uma declaração afirmando isso. Saiu assim: “O portador da presente certidão, do CID número tal, etc. etc., já não tem mais nenhum indício da doença”. Eu perguntei: “Uai, por que portador do CID? Você diz que sou portador da doença?”. O médico respondeu:

“Com menos de cinco anos não posso dizer que está curado”. O tumor como veio sumiu, em cerca de um ano e meio.

Depois da notícia de que você é portador de uma catástrofe, ao deitar na cama, dá um negócio esquisito. Mas também é aquilo, não pode ter qualquer reação na frente das filhas. Só tenho filhas. Tenho a cabeça muito boa, mas na hora que você sente a direita poderosa do inimigo, balança e diz: “Se eu cair, o que vem atrás?”. E as meninas são maravilhosas!

O médico disse para mim que uma das grandes fontes da cura do câncer é a cabeça. Você pode estar lascado e dizer: “Não, isso aqui vai passar!”. Ao receber uma notícia dessas, você só tem duas possibilidades: ceder (e tombar) ou enfrentar com galhardia.

Escrevi um livro “Eu, o Destino e Meus Amigos”. Tem um capítulo em que digo: “Aí, ela a doença apareceu!” A renda da obra é para uma instituição que cuida de crianças com câncer no Amazonas. Tem criança que não consegue chegar ao tratamento porque o rio encheu, e aí morre na aldeia, na cidade, sem atendimento.

Eu não escrevi um capítulo sobre o câncer. Falando da doença, eu conto uma anedota.
Tirei com humor tudo isso. Esse é o meu cartão de visita”.

Foto: Marcello Zambrana

Penha Oliveira Borges, 61 anos

“Viver é uma dádiva de Deus. Cada dia é uma nova oportunidade de ser feliz. Assim procuro levar minha rotina. Com a doença, evoluí em tudo. Aprendi que, se não estou com vontade de fazer alguma coisa, não faço. Não fico mais ligada em pequenas coisas. Eu pus na cabeça que minha vida não vai mudar.

Tenho 61 anos e moro em Uberaba, Minas Gerais. A notícia do diagnóstico, em 2014, foi dada pelo médico e ele disse para eu ficar tranquila, pois tinha tratamento. A partir daí tudo começou, fiz todos os exames e tive a boa notícia de que o câncer está só no pulmão (sem metástase). Na vida não podemos nos apavorar com nada, tudo tem solução.

Faço tratamento com um novo aparelho no hospital, o que me deu ainda mais esperança. Fui a primeira do hospital a utilizá-lo! Com o tratamento, a lesão maior hoje é só uma cicatriz. Também tomo uma medicação que inibe o crescimento dos outros tumores menores.

É interessante dizer que nunca fumei na vida, mas, quando era mais jovem, trabalhava ao lado de quem fumava. Fui fumante passiva.

Hoje, quando vejo pessoas fumando em público, faço questão de advertir que não é uma boa atitude. Sou um exemplo vivo disso!

Para mim, qualidade de vida é essencial e mantenho a minha mesmo com o tratamento. Só não posso mais pintar o cabelo, por causa dos agentes químicos da tintura. Mas continuo realizando atividades físicas normalmente. Também passei a prestar mais atenção em minha alimentação.

A família é minha base e segurança. Meu marido, meus irmãos e minha irmã me dão muito apoio. Inclusive, minha irmã ficou pior que eu quando teve a notícia. Ela é mais velha, tem carinho de mãe por mim.

Tenho um orgulho enorme em dizer que realizei meu grande sonho durante o tratamento. Eu e meu marido construímos uma casa do jeito que eu sempre quis. Posso garantir que acompanhei de perto todos os detalhes. Tudo mesmo, palpitei e estive sempre presente.

A vida é a cada dia, tem de valer a pena.

Se pudesse dar um conselho a todo mundo, diria: seja otimista, tenha sempre fé em Deus. Peça que seu tratamento seja iluminado e tenha força. Outra coisa importante é nunca abrir mão do seu sonho. Todos nós temos dificuldades, mas Deus sempre nos dá forças para enfrentá-las”.

Foto: Marcello Zambrana

Lucineide Alves Santos Bonfim, 61 anos

“Ao final de um dia de trabalho, fui ao hospital porque estava sentindo falta de ar. Eu já sabia o que seria dito, afinal, em oito meses, já tinha passado por dois prontos-socorros para investigar uma tosse chata que persistia e não ia embora de maneira alguma. Tinha certeza de que o diagnóstico seria tosse alérgica e que iria receber mais uma receita de xarope.

Não foi bem assim. Sozinha, soube de algo que iria transformar a minha vida e a de minha família – tenho dois filhos e cinco netos: eu estava com câncer de pulmão e seria internada imediatamente para drenar líquidos do órgão. Ex-fumante, entendi naquela hora que o tabagismo é cruel.

Quando o médico falou, eu não chorei. Adotei uma postura resiliente sem saber exatamente o que vinha pela frente. Não tinha ideia.

Voltei para casa, e alguns dias depois passei mal e fui internada novamente, desta vez por longos 75 dias. Cheguei com 110 quilos e saí com 71.

Durante esse período, foi constatada uma pericardite (inflamação na membrana que reveste o coração). Os médicos mandaram chamar a minha família para comunicar que meu caso era irreversível. Eu só tinha mais uma semana de vida.

Meu irmão, meus filhos e minha nora se desesperaram. Eu não. Resolvi enfrentar as sessões de quimioterapia sem nenhuma dúvida, mas tive medo ao chegar ao hospital. Vi mulheres gemendo e gritando. Felizmente, nunca tive nenhuma reação colateral.

A única vez que estremeci foi quando meu cabelo caiu. Na quarta sessão, passei a mão na minha cabeça e caiu um tufo. E outro, e outro. Ele era tão bonito! Hoje uso turbantes. Depois do primeiro ciclo de quimioterapia, em que fazia três sessões por semana, agora estou no procedimento mensal. Acabo de passar por uma tomografia que mostra que não tenho mais tumores em meu pulmão.

Eu me perguntei muitas vezes, será que vou morrer? Não desistir é o melhor pensamento que a pessoa com câncer pode ter. Fiquei surpresa ao ser acolhida pela família e amigos. Quero voltar a trabalhar logo, tenho 51 anos e estou cheia de vontade”.

Foto: Marcello Zambrana

Mônica de Almeida Chain Montone, 53 anos

“Uma das frases que eu mais gosto de dizer é: estou curada. Comparo a transformação que o câncer de pulmão provocou em mim com o ato de trocar de óculos: enxergo a vida de outra maneira, mais leve, mais plena, mais segura. Tive muita sorte na minha trajetória desde que cheguei a um pronto-socorro com suspeita de infecção urinária e o médico plantonista, depois de avaliar alguns exames, me perguntou: “A senhora sabe que tem um nódulo no pulmão?”. Eu não fazia ideia.

Sou ex-fumante e nunca conheci ninguém que tivesse sobrevivido a um diagnóstico como esse. Na hora da revelação, muitas preocupações passaram pela minha cabeça. Eu estava cuidando dos meus pais – ela tinha Alzheimer e ele, doença de Parkinson –, passando por um processo de divórcio e nutria a vontade de ser mãe.

Estava com 43 anos, era jovem e ainda tinha muito tempo pela frente. Não vou mentir, fiquei com muito medo de morrer, mas não perdi a fé. Fui criada na Igreja Católica e hoje encontro muitas respostas no Espiritismo. Conhecer João de Deus, em Abadiânia, Goiás, também me confortou.

Uma rede de proteção de amigas se formou a minha volta. Nunca esquecerei estes nomes: Magda, Monica, Joana e Solveig. Elas estiveram comigo o tempo inteiro, segurando na minha mão, me encorajando, indo a consultas. Além de contar com o suporte dos médicos, Marcelo Cruz e Ricardo Terra.

Fui também acompanhada por uma psicóloga habituada a questões oncológicas. Esse tratamento fez muita diferença na maneira como eu lidei e lido com a doença até hoje. Sem ele, não sei se eu conseguiria falar dela com naturalidade.

Outro ponto importante no meu processo foi ter encontrado o Instituto Lado a Lado pela Vida na internet, pois o resultado da busca por informações corretas sobre o assunto nem sempre é confiável.

Passei pela primeira cirurgia no meu pulmão em 2008 e ela foi exitosa. Conheci meu atual marido, Mário, nesse ano. Dois anos depois, tive uma recidiva e deitei novamente na mesa de cirurgia, dessa vez para tirar mais um pedaço do órgão.

Fiz 16 sessões de quimioterapia e hoje estou 100% ativa, trabalhando.

Até casei em 2017 e logo comemorarei bodas de papel! Hoje, sou uma nova mulher, me reinventei e me sinto muito feliz”.

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