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Convivendo com a Doença

Houve uma época em que a única preocupação em relação aos pacientes oncológicos era a sobrevivência. Atualmente, com os avanços no diagnóstico e tratamento da doença, existe também o cuidado com a qualidade de vida durante e após o tratamento do câncer.

A reabilitação oncológica tem como objetivo desenvolver e restaurar a integridade funcional do paciente e garantir máxima independência, bem como o suporte e educação para o enfrentamento de sua nova realidade.

Quais profissionais estão envolvidos neste processo?

Como é um enfoque multidisciplinar, a reabilitação de pacientes com câncer envolve fisiatras, psicólogos, assistentes sociais, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, profissionais de educação física. Enfim, depende de cada caso. Então, ao mesmo tempo que o fisiatra trabalha para devolver os movimentos de uma mão, por exemplo, o psicólogo trata de valorizar sua autoestima, a assistente social se esforça para reinseri-lo no meio social mostrando o quão importante ele ou ela são para o seu meio, o quão produtivos ainda podem ser etc.

Os pacientes costumam ter acesso a essa assistência pós-tratamento?

A reabilitação fisiátrica de pacientes diagnosticados ou já tratados com câncer ainda tem acesso restrito no Brasil pelo reduzido número de profissionais desse novo ramo da medicina. Mas é inclusive uma das metas da OPAS – Organização Panamericana de Saúde – ampliar os programas de reabilitação no continente em todos os tipos de doenças, não apenas no câncer. Por outro lado, o SUS dispõe de tratamento de fisiatria, ainda que em escala reduzida, como também na rede privada, por se tratar de uma novidade clínica.

Como trabalhar as questões emocionais, relacionadas, por exemplo, com o medo da recidiva e questões sociais (reintegração ao trabalho, a atividades cotidianas…)?

Neste caso envolve o aspecto da humanização da fisiatria, uma subjetividade que nos forma para entender os contextos das sequelas, a forma de abordar o paciente, desde a comunicação que ele tem a doença até o final do tratamento. Ou então antes e fora desse cenário, o trabalho de prevenção por meio da informação sobre as formas de uma vida saudável, a necessidade de mudança de hábitos, como exercícios físicos, não fumar, alimentação balanceada e outros cuidados. O suporte emocional é muito importante para que o físico também avance. Então trabalhamos as famílias, os amigos, mas também com noções práticas, como alertar o paciente dos seus direitos como tal na sociedade e perante as obrigações do Estado para com ele. O importante é fazê-lo ver que há tratamento e acompanhamento, é fornecer cuidados, não só tratar.

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