Terapia de reposição de testosterona é recomendada?

Terapia de reposição de testosterona é recomendada?

A produção de testosterona no homem começa a declinar a partir dos 30 anos.

Estudos mostram que, na faixa dos 40 aos 70 anos, a queda é de 0,8% ao ano. Por muito tempo, a redução deste hormônio foi considerada uma deficiência congênita. Hoje, sabe-se que pode ser acarretada por condições como obesidade, infecção pelo HIV, estresse psicológico e doenças debilitantes.

A deficiência de testosterona pode provocar diferentes sintomas no homem, como a perda de massa óssea e aumento do risco de fratura, perda de força e diminuição de massa muscular, diminuição da libido, redução da fertilidade, fadiga, aumento da resistência à insulina e do risco de diabetes, comprometimento das funções cognitivas e depressão.

O diagnóstico do hipogonadismo - doença na qual as gônadas não produzem quantidades adequadas de hormônios sexuais - é feito através do histórico clínico do paciente, do exame físico e confirmado através da realização de exames complementares, como determinação do painel de hormônios, espermograma, ultrassom de testículos ou ultrassom da pelve.

Na maioria dos pacientes com hipogonadismo, quando a causa não é tratável, como numa lesão testicular por trauma ou por uma doença autoimune, o tratamento é feito através da reposição hormonal. No entanto, a TRT - Terapia de Reposição com Testosterona - é um assunto polêmico quando relacionado ao risco cardiovascular em pessoas com mais de 50 anos de idade. Estudos importantes, como o "Overselling Testosterone, Dangerously", publicado no The New York Times, alertam para possíveis riscos da TRT em homens com deficiência.

De acordo com o urologista Álvaro Sarkis, o risco só aumenta quando a reposição ocorre em excesso, deixando as taxas acima do normal. É o que afirma também uma pesquisa realizada com 83.010 homens com mais de 65 anos de idade - o maior estudo observacional até o momento relacionando a TRT e o risco cardiovascular. Especialistas concluíram que há uma relação entre a normalização dos níveis de testosterona total com maior redução da mortalidade, infartos agudos do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais.   

Segundo Dr. Sarkis, a terapia também não é indicada para pacientes com suspeita ou história prévia de câncer de próstata. "Por isso é fundamental que a reposição seja indicada e acompanhada por um urologista, que avaliará caso a caso", explica. Outras contraindicações são pacientes com sintomas urinários obstrutivos provocados por aumento benigno da próstata, apneia do sono, insuficiência cardíaca grave e número elevado de glóbulos vermelhos.

O cuidado com os preventivos da próstata também devem ser redobrados. Homens recebendo reposição devem ser submetidos a controle do PSA, toque retal e à avaliação da série vermelha do sangue, três meses depois de iniciar o tratamento. Daí em diante, as avaliações devem ser repetidas a cada seis meses.

Os efeitos longo prazo da terapia de reposição de testosterona ainda são desconhecidos. Por este motivo, a TRT é indicada apenas para pacientes sintomáticos. Pela mesma razão, se depois de três meses não houver melhora da qualidade de vida, a interrupção do tratamento é recomendada.