A saúde emocional do homem no centro do debate

A saúde emocional do homem no centro do debate

Live realizada pelo Instituto Lado a Lado pela Vida promove um papo descontraído sobre "ser homem" e uma reflexão sobre sua saúde no âmbito integral

Publicado em 21.05.21


Ontem, dia 20 de maio, o Instituto Lado a Lado pela Vida, com o apoio da Gillette, realizou a live "Papo de homem: como estamos de saúde emocional?". Com a presidente do Instituto, Marlene Oliveira, estavam o ator, e ex-BBB, Babu Santana, o psiquiatra Rodrigo Fonseca M. Leite e o jornalista Phelipe Siani.

O Instituto Lado a Lado pela Vida trabalha, a mais de 13 anos, levando informação e criando ações que promovem a saúde do homem de forma integral. Criador da campanha Novembro Azul, o Instituto quis levar para o centro da discussão a saúde emocional do público masculino em uma época tão difícil ao qual estamos vivendo.

Marlene Oliveira começou a conversa dizendo que o homem precisa ser o protagonista da sua saúde "Não é responsabilidade da mulher cuidar da saúde dele. Ele precisa se cuidar", diz ela. A fala da presidente do Instituto foi o ponta pé para uma discussão sobre o machismo e sobre uma visão ultrapassada que o público masculino ainda tem de ser "o macho" e de "nunca ficar doente".

Os homens não se cuidam de modo geral e, muito menos, quando se fala em saúde mental, afinal, esse público não quer apresentar as suas vulnerabilidades "O homem tem dificuldade de admitir seus problemas. Costumo dizer que, no âmbito da saúde mental, o homem é o sexo frágil por excelência. O homem tem menos acesso a um suporte social e menos acesso a falar sobre os seus problemas", diz o psiquiatra Rodrigo Fonseca M. Leite.

O jornalista Phelipe Siani, por sua vez, chamou a atenção para a pandemia. Além dos problemas que o isolamento tem ocasionado à sociedade estão os problemas relacionados a saúde emocional "O número é assustador. Mais de 40% dos brasileiros durante a pandemia já sentiram tristeza ou depressão de fato", comenta o âncora da CNN Brasil.

A depressão e o sentimento de tristeza são grandes tabus da sociedade. Quando isso se volta ao homem, a questão ainda é pior. Babu Santana, durante a live, disse ter se surpreendido quando, ao sair do BBB, as pessoas o questionaram do porquê dele chorar tanto durante o programa "Quando sai do Big Brother, algumas pessoas vieram me falar 'Torci demais por você, mas você chora demais para um homem'. É impressionante como isso existe. Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo", fala o ator.

De forma descontraída, Babu não teve receio em admitir sua fraquezas durante a conversa. Para reforçar a importância do homem falar mais sobre os seus sentimentos, ele não titubiou ao revelar um grande medo seu: a vacina contra a COVID-19 "Eu quero muito tomar a vacina, mas quando eu vejo que é uma injeção penso: porque não fizeram algumas gotinhas?", brinca o ex-BBB. O comentário fez com os demais participantes rissem, porém ele foi enfático "Estou falando de uma fragilidade minha aqui. Uma fragilidade de homem", complementa ele.

A pandemia ainda é um mistério quando relacionado a saúde mental "A gente não sabe ainda o que a pandemia vai causar de reflexo na saúde emocional das pessoas. O real efeito, somado à crise econômica. Não sabemos o tamanho do tsunami", comenta o Dr. Rodrigo.

Além dos problemas relacionados ao trabalho home-office - a falta de tempo, as reuniões intermináveis, a pressa e a necessidade de apresentar o trabalho concluido - as pessoas estão preocupadas e usando a tecnologia para esclarecer dúvidas e arrumar um modo de conversar, resolver problemas e aliviar o estresse e a frustração depois de 1 ano e meio em isolamento. 

Esse comportamento do público ficou evidente para Marlene. Na pandemia, um dos canais de comunicação do Instituto, o WhatsApp, bateu recorde de acessos do público fazendo perguntas sobre a saúde. O que chamou a atenção da sua equipe foi que a maioria desses contatos eram de homens "Os homens nos procuravam muito porque acho que se sentiam mais à vontade de perguntar pelo WhatsApp, sem se expor, sem aparecer. Com isso percebemos que o homem não tem que ter vergonha de pedir ajuda. Ele tem que entender que não está dando conta", diz Marlene.

Assim como a tecnologia tem ajudado as pessoas a enfrentar esse momento, o uso irracional dela, durante a pandemia, é outro problema que o isolamento social trouxe e que vem fazendo mal às pessoas "Essa fronteira entre o virtual e o real estão muito curvadas e isso, eu observo nas pessoas que me procuram, é como se as pessoas tivessem perdido uma certa interação com as outras pessoas. Elas vêm mais imediatistas, menos afetivas ao consultório", ressalta o psiquiatra.

O momento vem trazendo reflexões e, também, mudanças culturais positivas. Apesar de ainda existir resistências, o machismo vem sendo descontruído. "Eu sou um machista em desconstrução. Eu aprendi errado, na minha época era assim, mas ainda bem que as coisas estão mudando", reflete Phelipe Siani.

Nesse aspecto de pontos positivos que a pandemia vem trazendo, a (re)descoberta do SUS foi uma delas. Visto como um tratamento elitista, a consulta com um psiquiatra ou psicólogo já é possível pelo Sistema Único de Saúde "Com a pandemia foi possível ver o SUS com outros olhos, como um sistema que deu resultados e atendeu, prontamente, a população. Quando o assunto é a saúde emocional, o tratamento é muito elitista, mas as pessoas podem procurar o SUS para buscar ajuda. Valorizem o SUS", comenta o psiquiatra.

O Instituto Lado a Lado pela Vida sai na frente mais uma vez ao trazer um assunto tão importante para a discussão. A saúde emocional precisa estar em pauta e ser abordada para que mais pessoas possam desmistificar os preconceitos em torno dessas doenças e falar mais sobre o que as aflige.

A live foi um sucesso. Teve picos de mais de 500 pessoas online assistindo. Se você não assistiu clique aqui e confira.