Anvisa aprova novo remédio contra o câncer de ovário

Anvisa aprova novo remédio contra o câncer de ovário

O niraparibe potencializa os efeitos da quimioterapia e reduz o risco de morte e de progressão desse tipo de tumor

Publicado em 19.03.21


 

O câncer de ovário é a segunda neoplasia mais comum em mulheres, perdendo apenas para o câncer de colo de útero. Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), calcula-se cerca de 6.650 novos casos ao ano, com 4.123 óbitos.

O tumor desafia os oncologistas, pois volta com frequência e os sintomas aparecem quando a doença já está em estágio avançado. Cerca de 75% das mulheres recebem o diagnóstico quando já se espalhou para outros órgãos.

No entanto, recentemente, uma nova aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Saúde) promete auxiliar no tratamento dessa doença. Trata-se do medicamento niraparibe, da farmacêutica GSK. O comprimido é considerado inovador e funciona como um tratamento de manutenção, já que potencializa e prolonga os efeitos da quimioterapia.

O objetivo do remédio é evitar que a doença retorne ou que tenha alguma progressão. A quimioterapia funciona, porém cerca de 85% das mulheres que tiveram câncer de ovário sofrem com a sua recidiva.

Para a liberação do medicamento, duas pesquisas foram fundamentais. Ambas foram publicadas no New England Journal of Medicine. Na mais recente, mulheres recém- diagnosticadas com câncer de ovário fizeram sessões de quimio e, logo em seguida, tomaram o niraparibe. Em comparação com aquelas que só receberam placebo após a quimioterapia, tiveram um risco de 38% menor de progressão da doença ou morte.

Outra pesquisa foi focada em mulheres que já haviam visto o câncer retornar. Todas receberam quimioterapia e tiveram respostas positivas. Metade tomou niraparibe e a outra metade placebo.

A medicação, nesse contexto, foi extremamente benéfica em comparação as pílulas de farinha. Houve uma queda de 73% no risco de morte ou de progressão da enfermidade entre mulheres que tinha tomado o remédio e que tinham mutações de BRCA. Já para quem não tinha essa alteração, o número ficou em 55%.

Esses estudos mostraram que o medicamento está liberado para mulheres diagnosticadas pela primeira vez com câncer de ovário e, também, para aquelas que tiveram recidiva da doença e passaram por novas rodadas de quimioterapia.

Apesar da aprovação, o remédio deve demorar para ficar disponível. Ainda há um processo de definição de preço junto as autoridades sanitárias.