Câncer de ovário: uma doença que, geralmente, é descoberta tardiamente

Câncer de ovário: uma doença que, geralmente, é descoberta tardiamente

Cerca de 80% dos casos chegam ao consultório médico em estado avançado

Publicado em 08.05.21


O Câncer de Ovário é uma doença que requer bastante atenção, já que em sua fase inicial ela é assintomática. Por isso, muitas vezes é descoberto tardiamente e, quanto mais tardio o diagnóstico, mais agressivo é o tratamento que, em sua grande maioria, envolve cirurgias e quimioterapia.

Essa é a segunda neoplasia ginecológica mais comum e a sétima maior causa de câncer em mulheres. Por isso, de acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), estima-se que, nesse ano, mais de 6.600 mulheres serão diagnosticadas com a doença.

Já para o Ministério da Saúde, 80% dos casos diagnosticados não estão mais restritos ao ovário, sendo disseminado para outros órgãos, inclusive no pulmão e, em casos mais raros, no sistema nervoso.

Mas, por que esses números de diagnósticos tardios são tão expressivos? Segundo a Febrasgo (Federação das Associações Brasileiras de Ginecologia e Obstetrícia), 20% das mulheres não realizam as consultas periódicas por achar que estão saudáveis. No entanto, é fundamental que os exames anuais sejam feitos rigorosamente para detectar qualquer anormalidade no órgão.

Os sintomas nem sempre são fáceis de detectar

Se para o câncer de colo de útero, mama e colorretal há os exames de Papanicolau, mamografia e colonoscopia, respectivamente, para o câncer de ovário não há um método eficaz.

Outro complicador é que os sintomas, que poderiam detectar o surgimento dos tumores no ovário, estão associados a outras doenças. Porém, um caminho para o diagnóstico precoce e que serve de alerta são: aumento do abdômem, dificuldade para se alimentar, dor na região pélvica e/ou abdominal, sangramento vaginal anormal, mudança de hábito intestinal, fadiga extrema e perda de peso.

Fatores de risco e tratamento

Entre os principais fatores de risco para o surgimento do câncer de ovário estão: influência hormonal (em cerca de 80% dos casos), infertilidade, ciclo menstrual precoce, menopausa tardia, o fato de nunca ter filhos, obesidade e tabagismo.

Por outro lado, o controle de peso, alimentação saudável, prática de atividades físicas, assim como o uso de anticoncepcional oral por mais de cinco anos, a própria gestação e a amamentação, colaboram para diminuir o risco de desenvolver o câncer de ovário.

Em relação a hereditariedade acredita-se que cerca de 20% dos casos de câncer de ovário tenham origem por fatores genéticos. Caso a paciente tenha histórico familiar é imprescindível procurar um oncologista que, possivelmente, indicará um geneticista.

Quanto a faixa etária das pacientes acometidas pelo câncer de ovário, prevalece a partir dos 60 anos, quando a mulher não está mais na fase reprodutiva. No entanto, nada impede dessa anomalia ser diagnosticada no público mais jovem, principalmente naquelas que tem casos na família.

Nos casos de hereditariedade, o especialista vai analisar caso e caso e, dependendo da situação, deve orientar a paciente a fazer cirurgia profilática, ou seja, uma cirurgia de retirada dos ovários e trompas para reduzir o risco de desenvolvimento da doença. Ainda é fundamental um aconselhamento genético, coordenado por um geneticista.

Já para os casos de descoberta da doença em pacientes que não tiveram essa anomalia na família, o procedimento é discutir com o médico as possibilidades de tratamento, bem como os seus riscos e efeitos colaterais.

Há, pelo menos, dois tipos:

  • Tratamento sistêmico - realizado por meio de medicamentos orais ou diretamente na corrente sanguínea para atingir as células cancerígenas. Dependendo do tipo de câncer, esse tratamento pode ser usado, também, com o auxílio da quimioterapia, hormonioterapia e terapia-alvo.
  • Tratamento local - tratar o tumor no local sem afetar outras partes do corpo. Para essa terapia é necessário a cirurgia e a radioterapia.

 

Após o tratamento e quando não há tratamento

Um medo e uma preocupação recorrente das pacientes é se, após o tratamento, o câncer pode voltar. De fato, isso pode acontecer, por isso as mulheres que passaram por essa doença, e foram curadas, precisam ser monitoradas de 3 em 3 meses. Nesse momento é importante não faltar as consultas e acompanhar as orientações médicas.

Há casos em que, devido a sua gravidade e extensão, o tumor não pode ser mais tratado. Nessa situação as práticas médicas serão voltadas para aliviar os sintomas e ajudar psicologicamente familiares e o paciente no tratamento chamado de paliativo.

 Instituto Lado a Lado pela Vida e o câncer de ovário

 

O Instituto Lado a Lado pela Vida realizou na quinta-feira (06.05) o webinar "Raio X do Câncer de Ovário". O encontro reuniu, virtualmente, importantes especialistas, representantes govenamentais e pacientes para discutir sobre esse tumor feminino. 

Ao longo dos seus 13 anos de existência, o Instituto trabalha no alerta e na qualidade de suas ações e informações sobre os tumores femininos. Assista agora o webinar, clicando nos vídeos abaixo.

 

WEBINAR LAL - Raio X do Câncer de Ovário | A Jornada do Paciente

 

 

WEBINAR LAL - Raio X do Câncer de Ovário | O Cenário do Câncer de Ovário

 

 

WEBINAR LAL - Raio X do Câncer de Ovário | Políticas Públicas