Médico e paciente se reúnem para falar sobre estenose aórtica

Médico e paciente se reúnem para falar sobre estenose aórtica

Live do Instituto Lado a Lado pela Vida trouxe dois pontos de vistas para falar de uma importante doença do coração

Artigo publicado em 18.09.2020


Você já ouviu falar sobre estenose aórtica? Esse é o nome de uma doença grave do coração. Trata-se de um problema decorrente do estreitamento da válvula aórtica limitando a quantidade de fluxo sanguíneo, rico em oxigênio, para o corpo.

Tal fato se dá em decorrência da idade (acomete a população acima dos 70 anos) e é caracterizado pela calcificação nos folhetos das válvulas. A doença tornou-se conhecida depois que o vocalista da banda Rolling Stones, Mick Jagger, de 75 anos, teve que ser levado às pressas para a mesa de cirurgia em abril do ano passado. Ele havia desenvolvido esse problema.

Para falar sobre o assunto e alertar a população, o Instituto Lado a Lado pela Vida realizou, no último dia 10, uma live, transmitida pelos seus canais oficiais nas mídias sociais e Youtube. Com o tema "Doenças do coração, em especial a estenose aórtica", o encontro reuniu a presidente do Instituto LAL, Marlene Oliveira, o cardiologista intervencionista, José Armando Mangione, e o paciente Claudio Teixeira.

A ação faz parte da campanha Siga seu Coração, criada pelo Instituto LAL, e que visa transmitir informação de qualidade sobre os cuidados com o coração, as doenças cardiovasculares e a adoção de hábitos saudáveis. O Instituto Lado a Lado pela Vida é a única organização a atuar com as duas principais causas de morte: o câncer e as doenças cardiovasculares.

Dois personagens, dois pontos de vistas

A live propôs uma abordagem diferenciada. O fato de ter um médico e um paciente para falar sobre estenose aórtica permitiu dois pontos de vistas sobre a doença. Tanto o especialista quanto o cardiopata puderam transmitir suas experiências e vivencias diante do problema cardiovascular.

Marlene Oliveira foi a mediadora da conversa que começou com o Dr. Mangione dizendo que cerca de "30% das mortalidades no Brasil são em decorrência das doenças cardiovasculares. Isso se deve, em sua grande maioria, ao estresse e a má qualidade de vida e alimentação da população".

Hoje em dia, a média de vida dos brasileiros tem aumentado, com isso, cresce, também, os números de problemas no coração, em especial a estenose aórtica, que afeta pessoas com mais de 70 anos.

O empresário Claudio Teixeira, de 72 anos, foi uma das pessoas que passou por esse problema "Sempre pratiquei esporte. Meu estado físico sempre foi bom. Depois que minha esposa passou por um tratamento de câncer e eu tive que ficar com ela no hospital, comecei a sentir fadiga", comenta Claudio.

Ao procurar o Dr. Mangione, Claudio recebeu a notícia de que precisava fazer um cateterismo. "Fiz os exames pré-operatórios e deu positivo para o COVID. Após meu período de quarentena e recuperado do coronavírus fiz a cirurgia e hoje estou ótimo. Meu organismo é outro", complementa o empresário.

Durante a live, Marlene questiona o cardiologista sobre o fato de muitos pacientes terem medo de ir ao hospital durante a pandemia e o que essa insegurança poderia ocasionar aos cardiopatas "No início da pandemia houve uma diminuição muito grande de procedimentos. Caiu de 80% a 90% e o que ocorreu? os pacientes que vinham nos procurar chegavam em um momento avançado do infarto. Isso dificultava a melhora do paciente", explica o médico.

Segundo o especialista, não precisa ter medo de ir ao hospital, pois esses centros médicos estão totalmente equipados para proporcionar segurança ao paciente. Além disso, quando não se procura atendimento especializado, o risco de mortalidade é muito grande "Se o paciente de infarto não vai ao hospital ele terá uma mortalidade muito alta, muito mais do que da COVID", continua o médico.

Em relação a estenose aórtica, o cardiologista alerta que essa é uma doença traiçoeira, ou seja, ela pode ser assintomática e que, ao aparecer os primeiros sintomas, já pode ser fatal ao paciente "Existem alguns estudos que mostram fatores genéticos ligados a estenose aórtica, porém isso nem sempre ocorre. Outros estudos indicam hipertensão, colesterol alto e má alimentação como fatores de risco para a doença. Há grupos que não tem fatores de risco e nem predisposição familiares, mas adquirem a doença", explica Dr. Mangione.

Portanto, é muito importante que, ao sentir sintomas como: dor no peito, fadiga, falta de ar, dificuldade para se exercitar e desmaio, procure um médico imediatamente "Quando começar os sintomas tem que tratar. Eu indico que após os 60 anos se faça um check-up periódico, no máximo de 2 em 2 anos", alerta o cardiologista.

Para Claudio Teixeira, que diagnosticou o problema a tempo, quanto mais se antecipar à doença, melhor para o paciente "Temos sempre que nos tratar. Uma vez ao ano ir ao médico e antecipar um problema para tratar dentro do tempo necessário. Não espere porque depois pode não sobrar tempo", diz o empresário.

Na live se falou, também, sobre o procedimento TAVI (sigla em inglês para Implante de Valva Aórtica Transcateter), utilizada no Claudio e que é uma forma menos invasiva de tratamento. Porém ela ainda não está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde) "Por isso criamos o Movimento Lado a Lado pela Participação na Saúde. O Instituto LAL vai ajudar que tratamentos para estenose aórtica sejam oferecidas no SUS, como a TAVI, um procedimento avançado e simples que ainda não teve o reconhecimento necessário", comenta Marlene Oliveira.

O encontro teve seu fim com uma importante mensagem do cardiologista José Armando Mangione: é preciso que o paciente siga as recomendações médicas e fique atento à sua saúde "A medicina avançou muito e está no processo contínuo de avanço. Isso leva vários benefícios ao paciente e, uma vez o paciente sendo diagnosticado, ele precisa seguir os cuidados médicos. Minha mensagem é: visitem o médico e façam o check-up", finaliza o especialista.

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