Pacientes: perguntas e respostas sobre o coronavírus

Pacientes: perguntas e respostas sobre o coronavírus

Redação LAL responde dúvidas de pacientes oncológicos e cardiopatas sobre o coronavírus
Matéria publicada em 13.04.2020 e atualizada em 14.04.2020


1. Pacientes oncológicos são mais suscetíveis ao Coronavírus?

Durante o tratamento oncológico, quando o paciente recebe quimioterapia ou a radioterapia, por exemplo, a imunidade fica mais baixa, o que o torna mais vulnerável. Então, caso venha a ser infectado pelo Coronavírus, ele poderá desenvolver a forma mais agressiva da doença. 
Recomenda-se ao paciente oncológico ficar mais atento às precauções como isolamento social, hábitos de higiene e, principalmente, não tomar nenhuma decisão sobre o seu tratamento, sem orientação médica, seguindo exatamente as recomendações e nunca tomar decisões sem consultar seu oncologista ou a equipe do serviço de saúde onde está sendo tratado. 

2. Quais regras esses pacientes devem seguir para evitar contaminação?
 
Pacientes em tratamento de câncer, assim como pacientes portadores de doenças crônicas (diabetes, hipertensão) e indivíduos cardíacos devem reforçar os hábitos de higiene, como a lavagem das mãos, pulsos e unhas com água e sabão ou, na falta dessa possibilidade, usar o álcool gel 70%. Manter o isolamento social é fundamental e nunca devem parar ou mudar o tratamento sem orientação médica. Lembrar que abraços, beijos e cumprimentos com contato físico devem ser totalmente evitados.
 
3. Como dar continuidade ao tratamento oncológico?
 
O tratamento do paciente oncológico deve ser individualizado e as recomendações e orientações devem ser passadas pelo oncologista que o acompanha. Reforçamos que o paciente não deve alterar ou interromper o tratamento sem a recomendação médica.
Principalmente os pacientes com câncer metastático devem seguir rigorosamente as recomendações da continuidade do tratamento, pois o risco de avanço da doença é uma ameaça à vida.

4. Se o paciente oncológico tiver o Covid-19, com sintomas leves, precisa ser internado?
 
Não necessariamente. Deve falar com o médico, pois o tratamento é individualizado e, se a infecção não for grave, a recomendação é permanecer em casa, em isolamento, seguindo o tratamento que for recomendado para o tratamento do Covid-19. 
Lembrando que o paciente deve informar o sistema de saúde que o atender para identificar os sintomas do Covid-19, que está sob tratamento oncológico. 
 
5. Existe algum dado sobre a incidência entre o Coronavírus e o Câncer?
 
Até agora, não há comprovação científica de que os pacientes oncológicos têm mais possibilidades de serem infectados pelo Covid-19. Alguns dados preliminares indicam que a frequência de pacientes com câncer e COVID-19 varia de 0,9% a 1%, mas esses são dados ainda preliminares. Entretanto, é preciso seguir à risca todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde e do oncologista que conduz o tratamento.

6. Quais cuidados os pacientes cardiopatas devem seguir?
 
As regras são as mesmas para todas as pessoas: isolamento social, cuidados redobrados com a higiene das mãos, não compartilhar utensílios, manter o distanciamento de 1,5 m das pessoas de seu convívio, cobrir adequadamente o nariz e a boca ao tossir ou espirrar e manter o ambiente onde reside limpo. 

No entanto, os indivíduos cardiopatas devem estar mais atentos para evitarem a transmissão e a infecção. Importante que durante a pandemia, evitem conviver com crianças ou adultos que estejam gripados ou resfriados; lavar as mãos, pulsos e unhas; limpar sempre objetos de uso pessoal, como celulares, computadores, para minimizar os riscos.
 
7. Nestes casos, aconselha-se o uso de máscaras?
 
O paciente cardiopata deve manter o isolamento social e usar máscara em locais públicos, quando precisar sair de casa. Se for mandatória a saída, manter o distanciamento mínimo de 1,5 m das demais pessoas - pois elas podem estar gripadas ou resfriadas. 
Os dados disponíveis até agora indicam que um número considerável de óbitos de pacientes que contraíram a Covid-19 (Coronavírus) ocorreu em indivíduos portadores de doenças crônicas e/ou cardiovasculares, como diabetes, insuficiência cardíaca e hipertensão.
 
8. Como a Covid-19 ataca o coração?
 
O alvo principal desse vírus são os pulmões, mas se a pessoa tiver um coração doente, enfraquecido, com certeza estará correndo riscos, pois o coração precisará trabalhar mais para levar o sangue oxigenado para o corpo. Por isso, acabam tornando-se mais suscetíveis a desenvolver a forma grave da doença.

9. O paciente cardiopata deve ou não tomar a vacina contra influenza (Gripe)?

Deve, sim, tomar a vacina. O Ministério da Saúde antecipou a campanha da vacinação contra a gripe no Brasil em 2020. É importante que indivíduos cardiopatas se vacinem, já que a gripe pode ser confundida com os sintomas da infecção pelo Coronavírus. E a infecção combinada de Coronavírus e influenza, que pode agravar a saúde do paciente, é preocupante, principalmente para o paciente que já tem uma doença pré-existente.

10. Sou cardíaco(a) e estou com sintomas de gripe ou resfriado. Como posso saber se é o Covid-19? Devo procurar atendimento médico?

Os sintomas de gripe, independentemente de ser ou não Covid-19, são febre e cansaço, falta de ar e fadiga. Alguns casos também apresentam dor de garganta e congestão nasal. É recomendável que o diagnóstico correto seja feito com mais agilidade em casos de suspeita de Coronavírus naqueles pacientes que sofrem de alguma doença crônica ou sejam cardiopatas. O diagnóstico precoce ajudará no tratamento e pode contribuir para que o indivíduo não desenvolva a fase mais grave da doença.

11. Existe a possibilidade de pegar o coronavírus mais de uma vez?

Recentemente alguns casos de possíveis reinfecções foram divulgados pelo Japão, Coreia do Sul e China. Mas até o momento, as evidências científicas mostram que a possibilidade de reinfecção é baixa. O que se sabe é que ao ser infectado por um vírus e se recuperar, a pessoa cria imunidade e fica protegida de futuras infecções pelo mesmo agente. Pelo menos, é assim que outros vírus conhecidos funcionam. 

Acontece que a família do coronavírus tem vários integrantes. Então, reinfecções podem acontecer. Mas, novamente, as pesquisas feitas até o momento apontam que o risco de pegar o Sars-CoV-2 mais de uma vez é baixo.

Uma explicação para essas reinfecções seria que houve um resultado falso negativo, quando o paciente ainda estava com a infecção ativa ou a infecção diminuiu temporariamente e então ressurgiu. Outra possibilidade é que a resposta imunológica pode ser mais ou menos forte de um indivíduo para outro.

Ou seja, um caso leve do novo coronavírus pode não resultar em uma proteção para aquele paciente contra uma nova infecção. É importante destacar que as pesquisas com o Sars-CoV-2 estão em andamento e novas respostas devem surgir em breve.

Leia também:
Coronavírus: como manter a saúde emocional durante o isolamento?

Coronavírus: Como fica a vida sexual durante a pandemia?