SAÚDE PELO MUNDO: Evitar os hospitais durante a pandemia: má idéia

SAÚDE PELO MUNDO: Evitar os hospitais durante a pandemia: má idéia
Por Paulo Leite*
Texto publicado em 19.10.2020

A pandemia causada pelo novo coronavírus resultou numa queda acentuada no número de pacientes que procuraram o hospital por causa de ataques do coração ou acidentes vasculares cerebrais. O fenômeno foi notado nos hospitais norte-americanos, mas com certeza se reproduziu em muitos outros países, inclusive no Brasil.

O problema, segundo a AHA - American Heart Association (Associação Americana do Coração), é que as doenças cardiovasculares continuam a atingir um número crescente de pessoas. Muitas, ao que tudo indica, ficaram receosas de ir aos hospitais por causa da COVID-19. Enquetes recentes mostraram que muita gente, com medo de se contaminar, evitou ligar para os serviços de emergência e até deixou de lado visitas necessárias a um médico.

O perigo dessa atitude é tão sério - afinal, as doenças cardiovasculares continuam sendo as maiores causadora de morte no mundo - que a AHA lançou uma campanha para combater alguns dos mitos que colocam desnecessariamente em risco a vida das pessoas durante a pandemia.

A Associação lembra que uma simples ligação ao telefone de emergências (911 nos Estados Unidos, 190 no Brasil) pode salvar a vida de quem começa a apresentar sintomas de um infarto ou AVC. Segundo a entidade, é preciso lembrar que da pessoa que atende ao telefone aos paramédicos, todos os profissionais envolvidos em um socorro de urgência são treinados para evitar um possível contágio pelo novo coronavírus. E os hospitais, já há tempos, aplicam protocolos rígidos para desinfetar as instalações, distanciar as pessoas e manter os infectados longe dos outros pacientes.

Em muitos hospitais, inclusive, alas inteiras foram dedicadas exclusivamente à COVID-19, mantendo todos os pacientes com outros tipos de problemas em alas desinfetadas e seguras.

Algumas pessoas que preferiram se arriscar ao sentir sintomas de doenças cardiovasculares e não ir ao hospital citaram como um dos motivos o fato dos hospitais - em sua maioria - não estar admitindo acompanhantes durante a pandemia. A AHA, porém, lembra que é preferível ficar uma semana sozinho no hospital do que deixar a família sozinha para sempre. Quanto antes uma pessoa com sintomas for atendida, maiores as chances de viver para estar com os familiares novamente, lembra a AHA.

Com pandemia ou sem ela, a verdade é que os hospitais ainda são os lugares mais seguros para quem tem um infarto ou um AVC. A Associação Americana do Coração resume os motivos:

  • Os protocolos de segurança seguidos pelos hospitais são rígidos e cada vez mais eficazes. Os pacientes são recebidos por pessoal especializado usando equipamentos de proteção individual;
  • Ligar para o telefone de urgências ainda representa a melhor chance de sobreviver a uma emergência cardiovascular. Com a queda nos números da COVID-19 (inclusive no Brasil) os hospitais já não estão sobrecarregados como há alguns meses, e apresentam condições de oferecer o cuidado necessário;
  • Os trabalhadores dos prontos-socorros sabem como proceder, mesmo quando parece que o caos tomou conta do lugar. São treinados e vivem para isso, por isso podem desempenhar suas funções mesmo sob pressão;
  • As doenças cardiovasculares continuam a matar mais gente que qualquer outra doença, em todo o mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, a cada 40 segundos uma pessoa apresenta uma emergência cardiovascular. Mais de 350 mil paradas cardíacas acontecem fora dos hospitais a cada ano nos Estados Unidos. Apenas o pessoal treinado, usando o equipamento apropriado, pode oferecer segurança no tratamento desses pacientes;
  • Quando se trata de uma emergência cardiovascular, todos os minutos contam. Pessoas com artérias bloqueadas ou coágulos necessitam atendimento imediato, de preferência num ambiente hospitalar.

 Mesmo em países e locais onde o atendimento hospitalar apresente falhas e esteja longe do ideal, a American Heart Association enfatiza: nenhum lugar é melhor e mais seguro do que o hospital quando os sintomas de uma doença cardiovascular aparecem.

 

 

* Paulo Leite é jornalista e vive em Washington DC desde 1992. Atualmente é consultor em novas mídias, além de trabalhar por mais de 24 anos na Organização Panamericana da Saúde, como produtor de documentários e um dos responsáveis pela presença da OPAS na Internet.Seus textos serão publicados na segunda semana de cada mês.