Webinário da Folha tem a participação do Instituto Lado a Lado pela Vida

Webinário da Folha tem a participação do Instituto Lado a Lado pela Vida

O encontro online aconteceu no dia 25 de novembro e reuniu importantes especialistas e pacientes para discutir o assunto Melanoma

Publicado em 26.11.20


O mês de dezembro está chegando e com ele a cor laranja informando a população sobre o câncer de pele. O #DezembroLaranja reforça a importância de não subestimar a doença e levar em consideração medidas de fotoproteção desde a infância.

De acordo com dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), embora o câncer de pele seja o mais frequente no Brasil e corresponda a 30% de todos os tumores malignos registrados no país, o melanoma representa 3% e é o tipo mais grave, pois pode provocar metástase.

Ainda de acordo com o INCA estima-se que em 2020 tenha mais de 8 mil novos casos de melanoma no Brasil. Diante de números tão expressivos a Folha realizou ontem um seminário sobre melanoma.

O encontro virtual foi dividido em três painéis de debates e teve a moderação da jornalista Daniela Martins. No primeiro bloco estiveram presentes: Andréia Melo (chefe da divisão de pesquisa clínica e desenvolvimento tecnológico do INCA e oncologista da Oncoclínicas), Elimar Gomes (dermatologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo e do Grupo Brasileiro de Melanoma), Alexei Peter (oncologista da Oncoclínicas e preceptor do programa de cancerologia clínica da Santa Casa de Porto Alegre) e Mara Giavina - Bianchi (doutora em dermatologia pela USP e pela Harvard Medical School, pesquisadora do Hospital Albert Einstein).

A discussão desse painel girou em torno dos desafios da doença. No entanto, assim como todo o câncer, o diagnóstico precoce é a melhor forma de prevenir a doença. Durante esse primeiro bloco, os convidados falaram sobre a falta de informação que, muitas vezes, faz com que o paciente chegue ao médico com a doença em estado avançado "Há um intervalo muito grande entre a lesão e a avaliação no centro de tratamento de pele. Prestar atenção nos é muito importante, mas como diminuir o tempo da suspeita até a avaliação? Se tem um retardo nesse processo há o aparecimento dessa doença", diz o oncologista Alexei Peter

O melanoma tem relação direta com o dano da radiação ultravioleta na pele, o dr. Alexei explica que, muitas pessoas que têm esse problema hoje em dia, foram expostas ao sol quando crianças "A exposição solar que tivemos na infância implica no surgimento do melanoma. Eu ia na praia quando pequeno e não me lembro de usar protetor solar. Tenho 46 anos. Hoje em dia, se fala na proteção da pele", diz o Dr. Alexei Peter

Em relação aos tratamentos e ao diagnóstico do melanoma, a telemedicina e a Inteligência Artificial têm sido os grandes aliados "A telemedicina pode diminuir esses casos. Ela é fundamental para o diagnóstico precoce do melanoma. O uso de tecnologia de inteligência artificial para detectar o melanoma também é fundamental no futuro para o diagnóstico precoce", comenta a dermatologia Mara Giavina

O auto exame também é fundamental para detectar o surgimento do melanoma nos estágios iniciais. O simples fato de ter uma pinta assimétrica pode significar que aquela pessoa tenha a doença "O melanoma é um câncer e o formato da pinta vai ser assimétrica. É preciso fazer um auto exame para detectar pintas diferentes. O melanoma não acontece só nas áreas expostas ao sol. E há muita incidência em peles negras e pardas", diz o Dr. Elimar Gomes

No segundo bloco do seminário, os convidados Marlene Oliveira, fundadora e presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, o oncologista Rafael Schmerling e o oncologista e ex-ministro da saúde Nelson Teich discutiram sobre a universalização do diagnóstico.

Para o ex-ministro da saúde, o problema do melanoma é do sistema de saúde "Precisamos melhor o sistema como um todo. Precisamos entregar um tratamento para a população e temos o desafio de tratar todos da mesma forma", diz Nelson Teich.

Já Marlene Oliveira levantou a questão da informação. Com informação de qualidade o paciente se sente empoderado e saberá se cuidar "Nosso foco é ressaltar a importância da informação. Informar com responsabilidade para colocar o paciente em outro patamar. Temos que cobrar isso do sistema", diz a empreendedora social.

Outra questão que os convidados apontaram é a diferença de atendimento, e tratamento, do melanoma no que se refere ao sistema público e suplementar "Precisamos ter um olhar diferenciado e entender a jornada do paciente tanto no sistema público quanto no suplementar" comenta Marlene.

Já para o Dr. Rafael Schmerling, as discussões sobre o melanoma só terão resultado quando souberem, realmente, o número de pessoas que estão com essa doença. "Não sabemos o número de pessoas com melanoma no Brasil. O INCA fala um número, mas sabemos que é o triplo. As discussões serão infrutíferas porque não sabemos essa numeração", diz o oncologista.

A mesa de encerramento trouxe o relato e as experiências das ex-pacientes Rebecca Montanheiro (presidente do Instituto Melanoma Brasil), Flavia Maoli (presidente do Projeto Camaleão) e Liz Maria de Almeida (epidemiologista e chefe de coordenação de prevenção e vigilância do INCA).