LAL discute políticas públicas para tumores geniturinários

LAL discute políticas públicas para tumores geniturinários

Seminário foi realizado durante o III Simpósio Internacional GU - Review 2019 - LACOG. Foto: Panóptica Multimídia


 

Bia Rodrigues, Redação LAL - O Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) realizou na manhã de sábado (30.11) o 'Seminário de Políticas Públicas: Prevenção, Acesso e Tratamento de Tumores Geniturinários", no Hotel Intercontinental, em São Paulo, durante o III Simpósio Internacional GU - Review 2019 - LACOG. O seminário discutiu os principais tumores geniturinários em homens e mulheres, o câncer de pênis, a pesquisa clínica no país e uma linha de cuidados para a saúde do homem e para a oncologia.

Ao fazer o discurso de abertura, a presidente do LAL, Marlene Oliveira, destacou as campanhas de conscientização que o instituto promove durante todo o ano, em especial a Novembro Azul. "Na campanha desse ano, uma parceria com a líder mundial de internet via satélite permitiu que nossa mensagem chegasse a áreas isoladas do Brasil. Conectamos duas localidades, uma no Pará e outra no Maranhão, com um médico em São Paulo. Os homens desses povoados puderam tirar dúvidas sobre câncer de próstata, pênis e pele", explicou Marlene.

O médico oncologista do Hospital Albert Einstein, Andrey Soares, afirmou que organizações da sociedade civil são importantes para difundir informações de qualidade entre a população e os médicos. "As sociedades médicas junto com instituições como o Lado a Lado trabalham para que a informação chegue até a população de modo geral e a população onde esse acesso é extremamente restrito. As instituições possibilitam ainda que se possa discutir um pouco de políticas públicas com a esfera governamental, para que possamos trazer o que temos de pesquisa e novidade lá para o final, para o médico que atende o paciente", afirmou Andrey.

O primeiro painel do seminário tratou do "Cenário dos principais tumores geniturinários no homem e na mulher". O urologista do AC Camargo Cancer Center, Stênio de Cassio Zequi, falou sobre o câncer renal e de bexiga. "O câncer renal não está entre os tumores mais incidentes no mundo. É a 15ª ou 16ª neoplasia mais importante. Mas é um dos tumores urológicos mais letais porque não responde muito bem a radioterapia e nem a quimioterapia. E as novas drogas, apesar de efetivas, custam caro. É um câncer muito agressivo e mais homens do que mulheres têm a doença", colocou Stênio.

O urologista explicou ainda que o envelhecimento é um dos principais fatores de risco para os cânceres de rim e bexiga, assim como o tabagismo. "Em relação ao tabagismo, temos o que comemorar porque tivemos uma diminuição do número de fumantes no país. Mas precisamos continuar a educar as pessoas porque o fumo de cigarro não tradicional, como o narguilé, vem aumentando muito e ele é altamente cancerígeno. É preciso também combater a obesidade. O país hoje tem o maior índice de sedentarismo do mundo", acrescentou.

O doutor Igor Morbeck, oncologista clínico do Hospital Sírio-Libanês - Unidade Brasília, tratou do câncer de próstata no primeiro painel do seminário. "O câncer de próstata é uma doença que incide em 1 a cada 6 homens no mundo. É um tipo de tumor que em 90% dos casos é localizado. O diagnóstico precoce está atrelado a uma taxa de cura de 90% da doença. Acontece que a pesquisa do Instituto Lado a Lado pela Vida mostrou que 60% dos brasileiros não costumam ir ao urologista. A campanha Novembro Azul, do LAL, tem mudado a saúde no Brasil. Mas ainda temos gargalos e um deles é justamente o rastreamento do câncer de próstata", afirmou Igor.

Políticas Públicas e pesquisa clínica

O 2º painel "O câncer de pênis como uma questão de saúde pública: é possível erradicar?" foi apresentado pelo coordenador do Serviço de Urologia da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, Mario Ronalsa Brandão Filho. Segundo ele, a incidência desse tumor é muito baixa em países desenvolvidos. "Mas o Brasil é hoje um dos campeões de amputações do membro por causa do câncer. A maior concentração dos casos está no Norte e no Nordeste brasileiros, onde esse tipo de doença predomina, atrás apenas do câncer de pele não melanoma", destacou. O médico chamou a atenção para a falta de uma política pública para erradicar esse tipo de câncer no Brasil. "A prevenção e a erradicação passa pela conscientização e pela higiene adequada do membro. Não temos ações de conscientização e campanhas de saúde para o câncer de pênis por parte dos governos. O que fazem são mutirões ao invés de políticas de saúde continuadas. Mas precisamos focar em programas de saúde de Estado com continuidade", enfatizou.

Para o oncologista e professor de Medicina baseada em Evidências e Economia em Saúde, André Deeke Sasse, a escolha do paciente precisa ser levada em consideração na hora de decidir o tratamento. "A medicina baseada em valores é uma ferramenta para tomada de decisões de forma racional, centrada nos valores de cada paciente, com apoio de evidências e da experiência prática do médico, utilizando os recursos disponíveis no sistema. O empoderamento do paciente tem a ver com ensiná-lo, inclusive, questões de medicina baseada em valores e envolvê-lo também na questão de recursos disponíveis. A decisão compartilhada é a decisão do médico e é influenciada pelo paciente e seu ambiente", destacou Sasse.

O sócio-presidente do Grupo SOnHe, em Campinas, falou ainda da importância da pesquisa clínica para os sistemas de saúde. "Pesquisa clínica fortalece o país por meio do aprimoramento do sistema de saúde. Todos devem participar do processo de discussão da pesquisa clínica para que ele faça sentido para o Brasil", pontuou.

A última parte do seminário foi um debate sobre "Linha de cuidados para a saúde do homem e para a Oncologia. Um overview dos principais temas discutidos em 2019", moderado pela jornalista Natália Cuminale e com participação dos médicos André Deeke Sasse, Andrey Soares, Igor Morbeck e Roni de Carvalho Fernandes (responsável pelo serviço de Uro-oncologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Os participantes discutiram os avanços conseguidos durante o ano, das necessidades dos sistemas e da população e do combate às fake news na área da saúde.