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Criptorquidia

Saúde do Homem

O que é?

A criptorquidia é a condição médica em que os testículos não descem para a bolsa escrotal, por causa de anomalias no desenvolvimento do abdômen inferior e órgãos genitais. É um problema comum entre os bebês. Assim que a criança nasce é importante verificar se os testículos estão situados na bolsa escrotal e observar como evolui o caso durante um ano.

Esse movimento da descida dos testículos pode acontecer naturalmente. Caso não ocorra, é importante corrigir o problema, já que pode comprometer a produção de espermatozoides.

Por que os testículos migram?

Esta troca de ambiente dos testículos que ocorre ao final da gestação tem uma razão de ser: para produzir espermatozoides viáveis e maduros, os testículos devem trocar o calor de dentro do abdome por um lugar um pouco mais frio, o escroto. Uma diferença de 1,5 a 2,0 ºC entre esses dois locais pode ser suficiente para inibir a produção de espermatozoides.

Existem dois tipos de criptorquidia:

Criptorquidia bilateral: neste caso, os dois testículos estão ausentes no escroto. Pode causar esterilidade se não for tratada.

Criptorquidia unilateral: quando está ausente um testículo em apenas um dos lados da bolsa escrotal.

Sintomas

Além da ausência do(s) testículo(s) na bolsa escrotal, a criptorquidia só apresenta sintomas quando o testículo ausente desenvolve algum processo inflamatório, gerando dor. A detecção é feita pela observação durante a formação e desenvolvimento da criança. O diagnóstico deve ser feito o quanto antes para que o caso seja revertido, se não naturalmente, por cirurgia.

Fatores de Risco

Os principais fatores associados ao surgimento desta condição são:

  • Nascimento prematuro
  • Problemas hormonais
  • Síndrome de Down
  • Baixo peso do bebê
  • Hérnias no local por onde descem os testículos do abdômen para o escroto
  • Contato com substâncias tóxicas

Atenção: há ainda fatores de risco relacionados com o comportamento da mãe durante a gestação que podem aumentar as chances de desenvolver o problema, tais como obesidade, diabetes gestacional, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.

Prevenção

Não há uma forma comprovada para prevenir a criptorquidia. Recomenda-se às mães evitarem alguns fatores que aumentem o risco, como cigarro, álcool e obesidade. No entanto, isso não garante que a criança não desenvolverá o problema.

É importante atentar-se para o diagnóstico precoce, que evitará maiores complicações, como esterilidade e o desenvolvimento de neoplasias. Exames durante a gestação e logo após o nascimento podem detectar o problema nos testículos.

Diagnóstico

O diagnóstico da criptorquidia é feito através da palpação do escroto logo após o nascimento do bebê. O médico saberá distinguir a criptorquidia do testículo retrátil. Neste segundo caso, ele é levado para o escroto com facilidade, mas pode voltar a se alojar na região próxima à raiz da bolsa.

A normalização ocorre através dos estímulos hormonais, a partir dos sete ou oito anos de idade. No caso da criptorquidia, o médico orientará a observação da condição até o primeiro ano de vida. Se não ocorrer a migração espontânea, indica-se a cirurgia – que deverá ser feita até aos 2 anos de idade.

Tratamento

Se a migração dos testículos para a bolsa escrotal não ocorrer de forma natural até o primeiro ano da criança, o urologista pediátrico provavelmente recomendará a cirurgia, chamada orquidopexia, que é coberta pelo SUS e pela rede privada.

Se o testículo estiver localizado na virilha, a orquidopexia será realizada por uma pequena incisão nessa região. As crianças, em geral, vão para casa no mesmo dia, após o procedimento. Quando o testículo não é sentido na virilha, ele pode estar no abdômen ou ausente. Neste caso, outros exames serão necessários.

Há ainda um tratamento inicial com gonadotrofina coriônica (Hcg) que provoca o amadurecimento transitório e mais rápido do testículo, auxiliando na fase de migração. Se o diagnóstico for feito tardiamente, pode ser necessária a retirada do testículo (orquiectomia).

Complicações

A criptorquidia deve ser diagnosticada e tratada o quanto antes, pois podem surgir complicações ao manter os testículos em um local inapropriado (ou impróprio/inaquedado. Talvez sejam mais próximos do entendimento leigo). Entre elas deve-se destacar as grandes chances de malignização do testículo e sua consequente transformação em uma neoplasia (câncer), o que ocorre bem mais tardiamente. Podem ainda ocorrer torções testiculares, hérnias e infertilidade.

Perguntas Frequentes

A cirurgia pediátrica para corrigir o testículo retido é uma necessidade médica?
Ela é altamente recomendada para melhorar a imagem corporal quando a criança chegar à adolescência e idade adulta, assim como para reduzir os efeitos de longo prazo, como o risco de câncer ou infertilidade.

Quantas cirurgias serão necessárias?
Na maioria dos casos, os médicos conseguem reparar o testículo não descido com apenas uma operação.

Em que idade a cirurgia deve ser realizada?
A cirurgia para tratar testículos não descidos deve ser feita antes dos 2 anos.  Na maioria dos casos, é realizada entre 6 meses e 1 ano de idade.

Quanto tempo a criança tem de ficar no hospital após essa cirurgia pediátrica?
As crianças em geral vão para casa no mesmo dia ou na manhã seguinte.

O que acontece depois dessa cirurgia pediátrica?
A criança sente certo desconforto depois da operação, mas a maioria dos meninos melhora depois de um dia. O médico recomendará que a criança evite ficar sentada nas quatro semanas após a cirurgia, para evitar lesões. É necessário fazer acompanhamento anual com exames para que o urologista verifique se o testículo está crescendo normalmente.  

Fontes de consulta

SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA (SBU)

http://sbu-sp.org.br

Pesquisado em 10/03/2021