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Doenças Cerebrovasculares

Doenças Cardiovasculares

O que é
A doença cerebrovascular representa um grupo de doenças responsável por muitas mortes no mundo e causadora de sequelas permanentes. Ocorre uma obstrução lenta das artérias que são responsáveis por levarem o sangue e outros elementos vitais para o cérebro. Na sua forma aguda o fluxo de sangue é interrompido subitamente causando a morte de tecidos cerebrais o que vai causar sequelas leves ou graves podendo levar a morte. Esse grupo inclui o acidente vascular cerebral (AVC), popularmente chamado de “derrame cerebral”; as estenoses carotídea e intracraniana; aneurismas; malformações vasculares, dentre outras. Nos casos crônicos pode afetar a memória das pessoas causando a temivel demencia.

Essas doenças podem ter apresentação isquêmica, quando obstruem a circulação do sangue e, consequentemente, a oxigenação dos tecidos dependentes destas artérias cerebrais. Essa é a forma mais comum, e essa obstrução parcial ou total pode ocorrer devido a trombo (coágulo), bloqueio ou estreitamento dos vasos. Mas há também podem evoluir para forma hemorrágica, que é quando ocorre a ruptura dos vasos sanguíneos.

Nas últimas décadas, o Brasil obteve uma redução significativa da mortalidade por doenças cerebrovasculares entre homens e mulheres. Sendo a hipertensão um dos principais fatores de risco, sua identificação, tratamento e controle são considerados fatores preponderantes para essa redução em todo país.

Embora os índices de mortalidade estejam em queda, as doenças cerebrovasculares ainda são responsáveis por um alto número de casos óbitos. E dentre os pacientes que sobrevivem, causam alto índices de incapacitação funcional e perda de autonomia, inclusive nos indivíduos mais jovens.

Dados
As doenças cardiovasculares são a causa número um de morte em todo mundo. Deste rol de doenças, as cerebrovasculares e as doenças isquêmicas do coração são responsáveis pela maioria dos óbitos.

Analisando somente as doenças cerebrovasculares, o acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) é a forma mais frequente e, mundialmente, corresponde a cerca de 80% de todos os casos identificados.

– AVCs
De 1990 a 2017, a incidência de AVC isquêmico no Brasil, entre homens e mulheres, reduziu de 87,5 a cada 100 mil pessoas para 67,2/100 mil. Já as taxas de mortalidade, em ambos os sexos e no mesmo período, caíram de 54,8 para 22,6/100 mil.

Para mais informações sobre o AVC, confira aqui https://ladoaladopelavida.org.br/disease/tromboembolismo-e-avc/

– Aneurismas
Os aneurismas são dilatações da parede dos vasos sanguíneos, geralmente artérias, e a estimativa é que aproximadamente 3,2% da população mundial, com idade média de 50 anos, tenha aneurismas cerebrais. Mulheres apresentam maior incidência que homens, e a maioria dos casos para os dois sexos é identificada na faixa etária de 51 a 60 anos.

Em sua maioria, os aneurismas cerebrais são assintomáticos e diagnosticados somente após o rompimento. A hemorragia subaracnóide é a manifestação mais comum desse rompimento, e possui alto grau de morbidade e mortalidade.

– Malformação Vascular
São chamadas de malformações vasculares as conexões anormais que ocorrem entre veias, artérias ou capilares. Enquanto as veias são os vasos sanguineos que levam o sangue dos órgãos e tecidos ao coração, as artérias fazem o caminho inverso, transportando o sangue com oxigênio do coração ao restante do corpo. E os capilares são pequenos vasos que fazem a interligação entre veias e artérias.

Na malformação vascular, não há essa interligação, e a conexão direta entre veias e artérias pode causar hemorragias. De origem congênita, as malformações vasculares ainda possuem causa direta indeterminada.

– Estenoses
As estenoses são estreitamentos em dutos, canais e vasos, e podem ocorrer em vários órgãos do corpo. A estenose carotídea afeta a artéria carótida, que é responsável por levar o sangue com oxigênio ao cérebro.

De forma geral, esse estreitamento da carótida é causado, principalmente, pela arterosclerose – formação de placas de gordura na parede dos vasos sanguíneos. Tratar essa condição é essencial, dentre outros motivos, pelo alto risco de AVC e de infarto do miocárdio nos pacientes com estenose carotídea.

Sintomas
Embora possam permanecer silenciosas por muito tempo, as doenças cerebrovasculares em fase aguda apresentam alguns sintomas neurológicos, como dores de cabeça, tonturas, alterações na visão e fala.

Diante dos sinais, é importante buscar atendimento médico o mais rápido possível para evitar complicações mais graves. Dentre os sintomas mais comuns, estão:
– Dor de cabeça intensa;
– Náuseas ou vômitos;
– Tontura ou vertigem;
– Dificuldade de compreensão;
– Perda parcial ou total da visão, visão dupla ou borrada;
– Súbita fraqueza em um lado do corpo, que pode se manifestar no rosto ou um dos braços com dormência e formigamento;
– Estado de confusão mental e desorientação;
– Dificuldades na fala

Para diagnóstico de doença cerebrovascular, a avaliação clínica é muito importante para verificar os sinais vitais e o nível de consciência do paciente. Também são necessários os exames de imagem e laboratório, em especial para identificar a ocorrência de hemorragia.

Dentre os exames que devem ser realizados, estão a angiotomografia, Doppler transcraniano, testes sanguíneos (hemograma, contagem de plaquetas, lipidograma, glicemia e outros), eletrocardiograma e ecoDoppler de artérias vertebrais e artérias carótidas. Com base no histórico do paciente e sua avaliação clínica, esses exames podem ser substituídos ou complementados.

Fatores de Risco
Há condições modificáveis e outras não-modificáveis que aumentam ou causam as doenças cerebrovasculares. Dentre as modificáveis, a mais relevante é a hipertensão arterial, condição relacionada a cerca de 80% dos casos de AVC.

Segundo a Sociedade Brasileira de Doenças Cardiovasculares, a pressão arterial média de uma pessoa adulta saudável é de 120/80 mmHg, comumente lida como “12 por 8” (12×8). Caracteriza-se como pré-hipertensão o nível 130/85 mmHg (13×8) e como hipertensão 140/90 mmHg (14×9).

Os danos contínuos que a hipertensão provoca nos vasos sanguíneos podem causar diversas complicações, incluindo o acidente vascular cerebral, insuficiência renal ou cardíaca. Para reduzir esses riscos, o diagnóstico e tratamento da hipertensão são essenciais, permitindo que seja mantida em níveis aceitáveis.

Outros fatores de risco modificáveis para as doenças cerebrovasculares incluem tabagismo, altos níveis de colesterol, obesidade e diabetes. Já dentre as condições que aumentam as chances, mas que não podem ser modificadas, estão idade avançada, histórico familiar ou de ocorrências anteriores de AVCs, e fatores genéticos.

Prevenção
Manter a hipertensão sob controle é a principal maneira de evitar as doenças cerebrovasculares. Além do tratamento com medicamentos e acompanhamento com profissional de saúde, a adoção de hábitos como a prática de exercícios e alimentação saudável, incluindo redução do consumo de álcool e de sódio, contribuem diretamente não só para o controle da hipertensão, mas para reduzir outros fatores de risco.

Deixar de fumar é outra medida essencial para evitar as doenças cerebrovasculares. O tabagismo causa diversas sequelas ao sistema circulatório, mas esses riscos caem continuamente a cada dia sem fumar.

Tratamento
O tratamento das doenças cerebrovasculares pode ser medicamentoso ou cirúrgico, sendo que muitas vezes as cirurgias são indicadas nos casos de hemorragias. O objetivo principal do tratamento é normalizar a circulação sanguínea dentro do cérebro, para garantir o funcionamento do órgão.

O paciente também pode ser submetido à angioplastia com implante de stent, procedimento que irá dilatar e manter a artéria aberta, garantindo o fluxo sanguíneo no cérebro. Esse procedimento é muito menos invasivo que as cirurgias tradicionais e tem forte recomendação para pacientes com alto risco cirúrgico e anestésico.

Após a fase aguda, o tratamento é uma forma de prevenir a ocorrência de AVC e deve ser mantido junto com o acompanhamento médico. Os medicamentos recomendados incluem anti-hipertensivos, redutores dos níveis de colesterol, anticoagulantes e antiplaquetários. Deste último, a aspirina é a opção mais utilizada por sua alta eficácia e baixo custo.