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Enurese Noturna

Saúde do Homem

O que é?

Enurese noturna é a perda involuntária de urina durante o sono de caráter predominantemente infantil. Ocorre entre o período do desfralde (momento em que se retira as fraldas das crianças) até o perfeito controle da urina (esfincteriano) que se completa com o crescimento.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), estima-se entre 10% e 15% o número de crianças que aos sete anos de idade apresentam enurese. Este número cai para cerca de 0,5% aos 16 anos de idade.

Sabe-se que existe um forte componente genético para enurese noturna. Os antecedentes familiares representam um risco relativo de até 16 vezes quando pai e mãe tiveram enurese na infância.

Controle da micção

No primeiro ano de vida, a micção ocorre espontaneamente como um reflexo, ou seja, a bexiga enche e esvazia automaticamente. A partir de um ano de idade, o cérebro começa a perceber que a bexiga está cheia, mas ainda não há maturidade para controlar a micção.

A completa maturidade com controle voluntário da micção ocorre posteriormente, em idades variáveis.  Aos 5 anos de idade, 85% das crianças têm controle completo e o restante torna-se continente num ritmo de 15% ao ano. Raros casos de enurese ainda podem ocorrem durante a puberdade e na vida adulta.

Importante: quanto mais cedo o desfralde, menor será o controle da criança sobre a vontade de urinar. Ou seja, maior será o número de casos de enurese.

Diagnóstico

Se a criança urina normalmente durante o dia, ou seja, tem controle da micção quando está acordada, e urina com bom fluxo, sem gotejamento ou interrupções, até um episódio de enurese por mês é aceitável.

Quando a enurese ocorre mais de uma vez ao mês ou quando é acompanhada de outros sintomas urinários como perdas de urina, vontade urgente de urinar, jato intermitente ou infecções, deve-se recorrer a uma avaliação médica especializada.

  • Exame de urina: realizado para verificar a presença de infecções e diabetes
  • Raio-X: feito para avaliar a estrutura do trato urinário

Fatores importantes na avaliação

A avaliação inicial, feita pelo urologista, tem como objetivo descartar doenças que podem estar por trás desse sintoma. A importância do diagnóstico está no fato de que outras doenças necessitam de tratamento específico, enquanto que a enurese desaparece naturalmente com o crescimento da criança, na imensa maioria dos casos.

Havendo necessidade, o médico pode solicitar alguns exames para esclarecer o diagnóstico.

São dados importantes para a avaliação da enurese:

  • História familiar.
  • Quantidade e horário de ingestão de líquidos.
  • Hábitos e intervalos de micção.
  • Hábito intestinal.
  • Padrão do sono.
  • Histórico de doenças do trato urinário, entre outros.

Tratamento

Uma vez descartadas outras doenças, o primeiro passo é entender que se trata de uma condição que, na imensa maioria das vezes, cura-se sozinha, com o crescimento da criança. O segundo passo é entender que a criança não é culpada, pois se trata, pela própria definição, de uma perda involuntária.

Dados esses primeiros passos, existem mudanças comportamentais que, devidamente orientadas por profissional especializado, visam adequar a ingestão de líquidos, regularizar o hábito intestinal e estabelecer padrões miccionais.

Passando ao próximo passo, existem os alarmes, que são dispositivos que acordam a criança assim que ela começa a urinar na cama, fazendo com que ela se levante e vá ao banheiro.

Finalmente existem medicamentos que inibem a produção de urina à noite, mas que somente devem ser usados sob orientação médica.

Devemos sempre lembrar que, com o crescimento, a grande maioria dos casos de enurese se cura sozinha e, portanto, uma certa prudência é necessária para que o tratamento não cause mais transtornos que o problema.

As formas mais comuns para o tratamento são:

  • Terapias comportamentais.
  • Tratamento com alarmes.
  • Terapia medicamentosa (desmopressina/anticolinérgicos/imipramina).
  • Terapias combinadas.

Perguntas frequentes

A enurese é mais comum em meninos ou meninas?
A enurese é 2 a 3 vezes mais comum em meninos.

A enurese noturna pode ser hereditária?
Segundo alguns especialistas, a hereditariedade é um fator de risco. Quando um dos pais apresentou enurese, 44% dos filhos terão a possibilidade de ser enuréticos, enquanto quando os dois pais foram enuréticos, a problemática poderá recorrer em 77% dos filhos.

Que tipo de problema fisiológico pode estar ligado a essa condição?
Redução da capacidade funcional da bexiga, anormalidades na produção de hormônio antidiurético no período noturno, alterações do despertar do sono e problemas urológicos tais como refluxo vesico-ureteral.

Até que idade é “normal” fazer xixi na cama? O que fazer quando o problema continua depois dessa idade?
A maioria dos especialistas considera que aos 5 anos a criança já é capaz de controlar a micção. Depois dessa idade, os pais podem considerar a ajuda de um pediatra ou nefrologista pediátrico.

Como tratar o assunto com a criança?
A criança deve ser responsável pelo próprio aprendizado, mas sempre com estímulo e apoio emocional dos pais. Os pais devem demonstrar um reconhecimento positivo quando o episódio não acontece e jamais repreender ou castigar quando ele ocorre. O uso de fraldas deve ser desestimulado.

Recompensa pelas noites secas como forma de motivação funciona?
O apoio e reconhecimento positivo dos pais deve, sim, ser estimulado.

O tratamento psicológico é importante também quando a causa é fisiológica ou pode ser descartado?
A indicação para tratamento psicológico deve ser individualizada. A enurese noturna pode acarretar distúrbios emocionais, como redução da autoestima e ansiedade, sendo muitas vezes subnotificada pela família, principalmente em períodos iniciais. Mas ela também pode estar associada a situações de estresse, como separação dos pais, morte de familiar, nascimento de irmãos. Nestes casos é importante um acompanhamento psicológico.

É importante fazer xixi antes de dormir para diminuir as chances do xixi na cama?
Sim, é fundamental.    

Fontes de consulta

SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIAhttps://sbu-sp.org.br

Pesquisado em 11/03/2021