compartilhar

< Voltar

TPB (Transtorno de Personalidade Borderline)

Saúde Emocional

O que é?

Um transtorno de personalidade é quando a pessoa sente, é, percebe e se relaciona com os outros de uma forma que foge do “normal” ou saudável. Geralmente causa sofrimento não só para si mesmo, mas principalmente para que convive com essa pessoa.

No Transtorno de Personalidade Borderline, o diagnóstico é difícil, pois o próprio nome já diz. “Borderline” vem do inglês e significa “fronteiriço”. Teve origem na psicanálise onde esses pacientes não podiam ser classificados como neuróticos (ansiosos e exagerados) e nem psicóticos (que enxergam a realidade de forma distorcida), porém eles estão no meio, em um estado intermediário entre esses dois espectros.

De acordo com a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), nos ambulatórios de psiquiatria representa em torno de 20% dos pacientes. De 8% a 10% dos indivíduos com esse tipo de problema cometem suicídio.

Sintomas

Há algumas características que servem para diagnosticar o transtorno, as mais comuns são:

  • Tendência a se sentir rejeitado – a pessoa com esse tipo de transtorno tem uma tendência a se sentir rejeitado em diversas ocasiões. Em muitos casos o atraso do terapeuta ou o cancelamento de algum encontro já são motivos para esses pensamentos;
  • Sentimento de “tudo ou nada” – o relacionamento com esse paciente é complicado, já que para ele cabe, perfeitamente, o ditado “é 8 ou 80”. Ou ele ama ou ele odeia, não há meio termo. O psiquiatra pode ser o melhor do mundo, mas basta desmarcar uma consulta para que o paciente o odeie. É comum, também, o border ficar íntimo rapidamente de alguém, se encher de expectativas e depois se frustrar;
  • Mudança de identidade: por ter uma visão distorcida de sua imagem, o paciente acha que as pessoas não mantêm relações com ele porque o acham feio, mau e incapaz. Geralmente, o border muda de crença, valores, carreira e até de visual para se sentir encaixado nos gostos das outras pessoas;
  • Impulsividade e vício: para camuflar as sensações de vazio ou de rejeição é normal o paciente ter comportamentos que trazem alívio imediato. Sendo assim, o próprio ato de se relacionar com alguém, o ato de amar e ser amado, pode se tornar um vício. Compras compulsivas, abuso de álcool ou drogas, compulsão alimentar ou dietas restritivas podem fazer parte do quadro clínico do paciente;
  • Gestos e comportamentos automutilantes ou ameaças suicidas: se machucar, se cortar, se furar ou se queimar e ameaças de suicídio são frequentes, pois são uma forma de aliviar o sofrimento;
  • Instabilidade de humor: o paciente é uma verdadeira montanha – russa no que se refere a sentimentos. De uma hora para outra a pessoa pode ir do céu ao inferno sem motivos aparentes. Por isso os relacionamentos são instáveis, pois de um momento a outro o amor pode virar ódio;
  • Raiva intensa e de difícil controle: a pessoa pode se irritar com facilidade e ter reações exageradas que, depois de um tempo, a acometem de culpa e reforçam a sua imagem negativa.

Há outras comorbidades associadas como: depressão, transtorno de ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, transtornos alimentares e drogadicção.

Diferença entre Borderline e Transtorno Bipolar

Não é raro que um seja confundido com o outro. No entanto a principal diferença entre elas é a intensidade e a duração. Enquanto no Transtorno Bipolar os sintomas costumam aparecer em fases, durando algumas semanas, no Borderline as oscilações de humor são muito mais rápidas e não há estabilidade.

Causa e Tratamento

Não há uma causa definida, mas sim uma soma deles ou um quadro de vulnerabilidade. As causas podem ser:

  • Familiar – o transtorno é cinco vezes mais comum em parentes biológicos de primeiro grau de pessoas que sofrem com o transtorno;
  • Fisiológicos – certas falhas cerebrais alteram os impulsos e causam alteração de humor;
  • Ambiental – situações traumatizantes vividas na infância, abuso de substâncias químicas e lesões cerebrais podem ocasionar transtorno de personalidade.

Assim como qualquer transtorno de personalidade, o Borderline deve ser tratado com psicoterapia e medicamentos como: antidepressivos, antipsicóticos e estabilizantes de humor. É fundamental que, ao aparecer qualquer sintoma já descrito acima, a pessoa procure um especialista, um psiquiatra que vai avaliar da melhor forma o quadro clínico do paciente.

Importante

O diagnóstico é mais frequente entre mulheres, mas há estudos que os sintomas apareçam em ambos os sexos. O público feminino tende a pedir socorro e a demonstrar mais fragilidade enquanto os homens costumam causar problemas para si e para os outros. Podem ser presos ou, até mesmo, morrer por causa do seu comportamento de risco.

Fonte de consulta
Viva Bem – UOL
Instituto de Psiquiatria Paulista