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Medicina personalizada: Tratamentos inovadores reduzem mortalidade em pacientes com câncer de pulmão

Imunoterapia e terapia-alvo são opções comprovadamente eficazes, mas ainda escassas no Brasil

Por muitos anos, o câncer de pulmão se mantém líder dentre as mortes por câncer em todo o mundo. Estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que, em 2020, essa neoplasia tenha causado 1,80 milhões de óbitos. Mas o diagnóstico precoce somado a tratamentos inovadores, como imunoterapia e terapia-alvo, podem reverter esses indicadores e permitir que, após o diagnóstico, pacientes com câncer de pulmão vivam por mais tempo e com qualidade de vida.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), somente 16% dos cânceres de pulmão são diagnosticados em estágio inicial. E a taxa de sobrevida relativa em cinco anos é de 18%, muito inferior a outras neoplasias.

Atuando como médico titular no Memorial Sloan Kettering Cancer Center em Nova Iorque (EUA), o oncologista Fernando Santini, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, argumenta que o rastreamento para câncer de pulmão em pessoas com histórico de tabagismo permite o diagnóstico em fases mais iniciais, aumentando as chances de cura. Nos Estados Unidos, as recomendações mais recentes reduziram alguns critérios e ampliam a população a ser rastreada.

Antes, a idade recomendada para realizar tomografia de baixa dose de radiação era a partir de 55 anos. E o fumante, ou ex-fumante, deveria ter uma carga tabágica de ao menos 30 maços/ano. “Agora, pacientes com 50 a 80 anos, que fumam ou já fumaram uma carga tabágica de 20 maços/ano, que é uma carga intermediária, têm indicação de fazer a tomografia anual de baixa dose para rastreamento de nódulo pulmonar, dentro de um programa de rastreamento”, disse o oncologista.

Santini complementou que a maior sobrevida do paciente com câncer de pulmão também é diretamente ligada aos tratamentos disponíveis. “A terapia-alvo e imunoterapia revolucionaram a oncologia torácica. Já está sacramentado que os pacientes que têm acesso a essas tecnologias realmente têm uma sobrevida muito superior ao que tínhamos anteriormente. Isso realmente mudou a história do câncer de pulmão”, frisou.

A imunoterapia é uma tecnologia que estimula o sistema imunológico do paciente a identificar e eliminar células cancerígenas. Ela pode, inclusive, ser combinada com a quimioterapia e potencializar sua efetividade. “É um modelo de tratamento personalizado, só que não serve para todos. Essa terapia ainda é benéfica a uma pequena parcela de pacientes, mas o principal é sua resposta de longo prazo. Os que se beneficiam dessa terapia adquirem um benefício duradouro na ativação do sistema de defesa contra o tumor. Dentre pacientes que receberam essa terapia há cinco ou seis anos atrás, muitos estão livres da doença até hoje”, contou Santini.

E a terapia-alvo também é uma forma de tratamento personalizado pois, a partir da análise molecular do tumor, feita por meio de biópsia, é desenvolvido um medicamento que ataca as células cancerígenas. Dessa forma, retardando a multiplicação dessas células e, por consequência, o avanço da doença.

“Quase 50% dos pacientes com câncer de pulmão que nunca fumaram, ou até mais, já poderiam receber uma droga oral personalizada para o tipo de tumor, com uma resposta muito grande e pouco efeito colateral. E já se tem uma droga alvo contra uma alteração muito encontrada em tabagistas. Temos muito conhecimento em construção, e isso realmente se traduz em melhoria da sobrevida dos pacientes”, destacou o oncologista.

Nos Estados Unidos, onde essas tecnologias já são aplicadas há vários anos, os índices de mortalidade por câncer de pulmão tiveram queda acelerada. Dentre a população masculina, entre 2001 e 2005 a redução da mortalidade foi 2%; já para o intervalo de 2015 a 2018, o índice mais que dobrou, atingindo 5,7%.

O último Relatório Anual para a Nação sobre o Status do Câncer analisou dados norte-americanos durante o período de 2001 a 2018, e credita a redução das mortes às ações de rastreamento e novas terapias aprovadas contra o tumor de células não-pequenas, que é o tipo mais comum dentre os tumores de pulmão.

Apesar dos ganhos notáveis, que incluem menos efeitos colaterais e uma reabilitação mais rápida e duradoura do paciente, os tratamentos com medicina de precisão ainda não estão difundidos no Brasil. “Na saúde suplementar e no SUS o desafio maior continua sendo acesso e financiamento”, citou Santini.

Dentre diversos fatores que podem contribuir para que os pacientes brasileiros tenham maior acesso às novas tecnologias de tratamento, o médico apontou a necessidade de profissionais de diversas áreas da saúde manterem-se atualizados e a par das principais inovações. “É preciso tentar fazer o melhor para o seu paciente. Isso envolve reciclagem em educação e esforço pessoal, buscar alternativas. Obviamente há muitas barreiras, mas é preciso tentar oferecer o melhor”, disse.

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