compartilhar

< Voltar

Medo, aprendizado e crescimento: Um guia conciso para a Era Covid-19

Você se vê querendo gritar com aqueles políticos que continuam aparecendo na TV para revelar que não têm absolutamente nenhuma ideia de como administrar uma pandemia global?Você, como eu, se desespera ao ouvir alguém no comando dar uma resposta simples, mas abrangente, a três perguntas geradoras de estresse?

  •  Como posso administrar minha própria saúde mental e o bem-estar das pessoas ao meu redor, incluindo crianças e parentes idosos?
  • Como podemos seguir com o diagnóstico de doenças como o câncer, as cardiovasculares e outras doenças não infecciosas quando os sistemas de saúde estão focando apenas na Covid-19?
  • Como podemos proteger nossa infraestrutura social e econômica – hospitais, sistemas de saúde primários, nossas escolas, nossos empregos, nossas economias?

Em todos os países, os formuladores de políticas públicas ainda estão obcecados com o equilíbrio entre “a vida humana e os meios de subsistência da sociedade”. Estamos a quase um ano nesse debate, e o que nos enfraquece é que só ouvimos a mesma resposta: “Use uma máscara, aguente firme e espere pela vacina”.

Não é à toa que tantas pessoas se sentem tentadas a ignorar tudo e sucumbir à “fadiga pandêmica” – as emoções negativas de raiva, medo, negação ou cinismo que assolam usuários acríticos das mídias sociais.

Então, ao invés de nos dizerem “o que fazer”, precisamos de ajuda com “como ser” – as atitudes coletivas que precisamos para passar por isso com resiliência, coragem, dignidade.

Caro leitor, semana passada tive uma revelação que respondeu a essas três perguntas que para mim são interligadas… simplesmente fazendo mais uma pergunta: “Quem eu quero ser durante Covid-19“? Na modesta vitrine da Petters, minha farmácia local ao norte de Londres, havia um simples cartaz que tinha sido feito por alguém no escritório da farmácia.

Com uma linda simplicidade, os três círculos concêntricos do cartaz explicam como – individual e coletivamente – todos nós podemos sobreviver a isto. Cada um dos círculos tem breves descrições de comportamentos e atitudes típicas de três estágios de consciência pessoal e coletiva. É uma estratégia para a saúde mental, cidadania e solidariedade na nossa “Era Covid-19”.

O círculo central é chamado de “Zona do Medo“. Seus comportamentos primitivos são assustadoramente familiares: “Eu encaminho todas as mensagens que recebo.” “Eu compro comida, papel higiênico e medicamentos que não preciso.” “Eu reclamo com frequência.” Todos conhecemos pessoas que ainda não progrediram além dessa área de conscientização do “estágio inicial de confinamento”.

O próximo nível é a “Zona de Aprendizagem“. Aqui avaliamos com responsabilidade as informações recebidas e cessamos nossas respostas automáticas às notícias falsas sobre a Covid-19 nas mídias sociais. “Eu paro de consumir compulsivamente o que me machuca, da comida às notícias.” “Eu começo a desistir do que eu não posso controlar.” “Eu reconheço que todos nós estamos tentando fazer o nosso melhor”. “Generosidade para conosco e para com os outros tem tornado mais fácil sobreviver à pandemia.

O terceiro nível é a “Zona de Crescimento“. A mudança induzida pela pandemia não desaparecerá tão cedo – por isso devemos mudar também, através de atos de empatia e apreço. “Eu vivo no presente e foco no futuro.” “Procuro uma maneira de me adaptar a novas mudanças.”  Aceitar o “novo normal” introduzido pela Covid-19 – e o que isso pode significar para o futuro da saúde – é uma enorme oportunidade de crescimento pessoal e coletivo.

Você pode pensar que essas são coisas loucas, mas inofensivas tipo New Age, e é impossível de mudar atitudes e comportamentos coletivos em uma nação enorme como o Brasil.

Especialistas em saúde dirão que as atitudes dos pacientes são irrelevantes tanto pela forma de como o Serviço Único de Saúde (SUS) é projetado e administrado, quanto como funciona o sistema brasileiro de hospitais particulares financiados por Seguros de Saúde. A política pública de saúde é um projeto tecnológico de “grande ciência e grandes recursos” que não depende das atitudes dos pacientes. E a saúde privada é uma indústria impulsionada pela qualidade do serviço, não por ganhos econômicos marginais estimulados pelas atitudes dos pacientes.

Mas pense de novo. Na mesma semana em que vi o cartaz sobre atitudes para a Covid-19, eu tive a oportunidade de questionar a Dra. Anna van Poucke, uma das maiores especialistas mundiais em reestruturação de sistema de saúde, sobre duas vulnerabilidades cruciais baseadas em atitude que hoje prejudicam as duas metades da indústria de saúde brasileira.

Dra. Poucke da Holanda, líder Global da Área de Saúde da KPMG que participou como palestrante do Global Forum – Fronteiras da Saúde 2020, do Instituto Lado a Lado pela Vida, e falou que ficou bastante surpresa com quantos usuários de classe média dos sistemas particulares de seguros de saúde do Brasil não têm o hábito de consultar primeiro um clínico geral ou médico de família para descobrir quais cuidados especializados eles precisam. Em vez disso, eles vão diretamente aos consultórios altamente especializados, muitas vezes instalados nos hospitais particulares mais caros e luxuosos. Esse hábito de contornar a saúde primária, segundo ela, ajudou a tornar a inflação de custos médicos privados do Brasil uma das mais altas do mundo.

No campo da saúde pública, a Dra. Poucke também concordou que o Brasil pode estar nadando contra a corrente internacional, que favorece a consolidação de médicos, clínicas e hospitais em soluções integradas de cuidados projetadas para populações de 500 mil a 1 milhão. Assim, em vez de duplicar recursos dispendiosos, um punhado de centros de intervenção complexos podem atender às necessidades de saúde de muitos municípios menores, atendendo vários estados. Alguns dos mais de 5.000 municípios brasileiros, segundo ela, poderiam investir melhor em um heliporto do que em um novo micro hospital.

Mas isso vai contra as atitudes entrincheiradas de pacientes, eleitores e políticos regionais no Brasil, onde um novo hospital ou “Santa Casa” — por menor que seja — é visto como um bem público e fonte de orgulho cívico. Os sistemas municipais, estaduais e federais no Brasil são sobrepostos de forma caótica, assim devem estar prontos para a reforma, mas não até que as atitudes mudem.

Assim como mudar nossa mentalidade do medo ao crescimento fará com que sobrevivamos à Covid-19, trabalhar para mudar as atitudes daqueles dentro dos sistemas de saúde paralelos do Brasil pode transformar a pandemia em uma oportunidade de ouro para aumentar a eficiência e melhorar uma ampla variedade de resultados na saúde.

*Richard House   foi durante nove anos (1982 a 1991) correspondente do jornal Washington Post no Brasil. Já trabalhou também para o Financial Times, The Economist, Independent e BBC realizando, principalmente, reportagens econômicas, coberturas de grandes acontecimentos internacionais e entrevistas com líderes políticos e de negócios. Em meados dos anos 2000, migrou para o setor de comunicação corporativa e tornou-se ghostwriter e coach internacional de executivos e de membros de Conselhos de Administração de empresas líderes em seus segmentos, muitas delas da área da saúde. 

Ler mais sobre esse tema:

Nossa Agenda

28 Jul

Câncer e Cardio

Fórum Brasil: Câncer e Doenças Cardiovasculares

Local: online

Horário: 28/07 das 13h00 às 17h30 e 29/07 das 13h00 às 20h00

5 Ago

Campanha Novembro Azul

LIVE DIA DOS PAIS: O desafio de cuidar da próxima geração de homens. Vamos falar sobre isso?

Local: Online

Horário: das 19h30 às 21h00

26 Ago

Fórum Cuidadores no Brasil - Lançamento da Pesquisa Cuidadores

Local: Online

Horário: das 14h00 às 17h00

31 Ago

Campanha Respire Agosto

WEBINAR: Dia Nacional de Combate ao Fumo

Local: Online

Horário: das 15h00 às 17h00

23 Set

Campanha Respire Agosto

LIVE Dia Mundial do Pulmão: Mitos e Verdades sobre CA de Pulmão

Local: Online

Horário: das 19h30 às 21h00

29 Set

Campanha Siga seu Coração

WEBINAR Dia Mundial do Coração

Local: Online

Horário: das 17h00 às 21h00

6 Out

Global Forum Fronteiras da Saúde

Local: Online

Horário: das 14h00 às 20h00

21 Out

Campanha Mulher por Inteiro

WEBINAR: Tumores Femininos Day

Local: Online

Horário: das 15h00 às 17h00

17 Nov

Campanha Novembro Azul

WEBINAR: Especial Saúde do Homem

Local: Online

Horário: das 19h00 às 21h30

8 Dez

Campanha Mulher por Inteiro

WEBINAR: Câncer de Endométrio – o que as mulheres precisam saber

Local: Online

Horário: das 15h00 às 17h00

9 Dez

Conexão Paciente, Família e Cuidador

Local: Online

Horário: das 09h00 às 18h00