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Reabilitação pós-AVC: Os desafios

Quando alguém sofre um AVC (acidente vascular cerebral), geralmente existe uma série de passos a serem seguidos. Em primeiro lugar, vêm os primeiros socorros, e depois a hospitalização e o momento da alta. Por fim, a próxima etapa é a definição da melhor estratégia de reabilitação pós-AVC.

Muitas sequelas decorrentes do AVC podem ser incapacitantes. Por isso, a reabilitação é fundamental.

O que é um AVC?

O acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame cerebral, ocorre quando há perda da função cerebral por falta de sangue em uma determinada área do cérebro. É uma doença de início repentino. Pode ocorrer devido à falta de chegada do sangue por obstrução de uma ou mais artérias, conhecido como AVC isquêmico, ou por causa de um coágulo cerebral provocado pelo rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo, conhecido como AVC hemorrágico.

O AVC é um dos mais preocupantes problemas de saúde pública da atualidade, constituindo uma das patologias neurológicas de maior prevalência e, ainda, uma das principais causas de incapacidade temporária ou definitiva. No Brasil, anualmente, são registradas cerca de 68 mil mortes por AVC.

Na população mais jovem, esta patologia tem um efeito especialmente devastador para o paciente e sua família, estando associada à incapacidades físicas, cognitivas, emocionais e sociais que se traduzem em uma pior qualidade de vida.

Alerta para os fatores de risco

Hipertensão arterial: um dos mais importantes fatores de risco cardiovascular, sendo igualmente um fator de risco independente para AVC isquêmico e AVC hemorrágico.

Tabagismo: aumenta o risco para AVC isquêmico e AVC hemorrágico.

Diabetes: é um fator de risco independente para o AVC, mais do que dobra o risco para o AVC isquêmico e aumenta também o risco para o AVC hemorrágico. Aproximadamente 20% das pessoas com diabetes irão falecer devido a um AVC.

Dislipidemias: o colesterol total e a fração LDL elevados e a fração HDL reduzida são riscos para o AVC.

Obesidade e distribuição da gordura corporal: existem fortes evidências de que o aumento do peso está associado ao aumento do risco de AVC, mas não é claro se a redução isolada do peso reduz o risco de AVC.

Reabilitação pós-AVC: Como lidar com os desafios?

É importante saber que após sobreviver a um episódio de AVC, aproximadamente 40% dos pacientes ficarão com incapacidade e enfrentarão uma longa jornada em busca da retomada de sua independência e de qualidade de vida.

Lidar com a reabilitação não é nada fácil, tanto para quem teve o AVC como para os familiares e cuidadores, uma vez que muitas sequelas podem ser incapacitantes.

As limitações físicas podem atrapalhar a realização das tarefas do dia a dia. Por isso, a ajuda de outras pessoas ou até a realização de adaptações na casa podem ser fundamentais para que o paciente seja incentivado a buscar a sua autonomia.

Iniciar este processo rapidamente após o AVC será fundamental para minimizar os desafios e as complicações que irão surgir para ir melhorando a qualidade de vida.

Também vale lembrar que os aspectos motores são comprometidos mais comumente em pacientes que sofreram um AVC, porém, não podemos nos esquecer das incapacidades psicológicas e cognitivas. Elas podem acarretar sequelas graves com longo tempo para recuperação, prejudicando a qualidade de vida dos pacientes.

O que é Espasticidade no pós-AVC?

Trata-se de uma complicação que surge após o AVC e acomete 1 em cada 3 pacientes. A espasticidade pode surgir em até três meses após a alta hospitalar e significa um aumente involuntário da contração muscular. Os músculos ficam mais rígidos, afetando braços e pernas e dificultando os movimentos e a postura do paciente.

Sinais e sintomas da espasticidade

  • Rigidez muscular ou hipertonia: torna os movimentos menos precisos e a realização de algumas tarefas mais difícil
  • Espasmos musculares: resultam em contrações musculares involuntárias, incontroláveis e muitas vezes dolorosas
  • Clônus: aumento dos reflexos musculares normais, ocorrendo contrações musculares rápidas após um estímulo
  • Deformidades musculares e articulares
  • Fadiga muscular
  • Dor
  • Redução do crescimento muscular
  • Ocorrência de quedas

Principais impactos da espasticidade para o paciente

  • Cotovelo: com a flexão do cotovelo, o paciente sente dor, dificuldade para a reabilitação, para fazer a higiene, vestir-se e dormir.
  • Ombro: na rotação do ombro, o paciente sente dor, dificuldade na reabilitação, vestir-se e dormir.
  • Punho: com a flexão do punho, os pacientes sentem dificuldade para realizar as atividades diárias, para fazer a higiene e lesões por fricção.
  • Dedos: com a flexão dos dedos, polegar na palma da mão, ocasiona dificuldade para a realização das atividades diárias, em usar talas, fazer a higiene e lesões por fricção.
  • Quadril: o quadril fica rodado para dentro, o que dificulta nos cuidados com a higiene, intimidade sexual, sentar-se, andar, ficar em pé e realizar os deslocamentos.
  • Dedos do pé: em função dos dedos ficarem flexionados ocorre a interferência para caminhar e no equilíbrio.
  • Joelho: como o joelho fica estendido, ocorre a dificuldade em ficar em pé e subir escadas e também em balançar a perna durante a caminhada.
  • Pé equino: o paciente tem dificuldade em ficar em pé, manter o equilíbrio e se adaptar ao calçado. Dor e caminhada na ponta dos pés.

Quando tratar a espasticidade?

É importante iniciar o tratamento quando há um impacto na qualidade de vida do paciente.

  • Dor e fadiga
  • Dificuldade para caminhar ou quedas, sentar ou postura comprometida
  • Dificuldade com os cuidados e a higiene
  • Maior dependência do familiar ou cuidador
  • Deformidade de membros
  • Dificuldade para sentar-se na cadeira de rodas ou deitar-se na cama
  • Úlceras de pressão
  • Baixa autoestima, angústia, mau humor e depressão
  • Interação social reduzida, impacto nas relações familiares e com amigos
  • Dificuldade para dormir
  • Dificuldade na relação sexual
  • Impacto no trabalho

Tratamentos

Procurar um profissional da saúde para conversar sobre a espasticidade é fundamental para entender quais as opções de tratamento, uma vez que, trata-se de uma complicação que precisa de acompanhamento multidisciplinar, com métodos de tratamento diferentes dependendo da gravidade e o tipo de espasticidade.

O acompanhamento normalmente envolve medicamentos orais, fisioterapia ocupacional, aplicações de toxina botulínica e até cirurgia, em alguns casos.

Quer saber mais sobre o Acidente Vascular Cerebral? Confira nossa página completa sobre a doença.

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