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Retinoblastoma: saiba mais sobre esse câncer e como identificar nas crianças e recém-nascidos

Embora seja um tumor raro, com cerca de 400 casos novos por ano, as chances de cura chegam a 100% se for diagnosticado nas fases iniciais

Na última semana, os jornalistas Tiago Leifert e Daniela Garbin anunciaram que a filha Lua, de 1 ano e 3 meses, foi diagnosticada com retinoblastoma, um câncer raro que afeta principalmente as crianças menores de cinco anos. Desde então, o assunto está à tona e muitos pais se perguntam sobre como identificar os sinais, quando levar os filhos ao médico e o quão grave é esse tipo de câncer.

O retinoblastoma é o câncer ocular mais comum entre crianças, e corresponde a cerca de 2% dentre todos os tumores infanto-juvenis. Esse câncer se desenvolve na retina de um ou ambos os olhos e, por ano, são identificados cerca de 400 casos no país. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, dois terços dos casos são diagnosticados antes dos 2 anos de idade e 95% antes dos 5 anos.

A manifestação mais conhecida do retinoblastoma é o reflexo que forma uma mancha branca na pupila e que pode ser observado acionando a luz do flash fotográfico nos olhos. Outros sintomas são o estrabismo, sensibilidade à luz, dor ou inchaço nos olhos e dificuldades na visão. Esses sinais podem variar de acordo com o tamanho e localização do tumor. 

Para esclarecer sobre o assunto, a presidente e fundadora do Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL), Marlene Oliveira, participou no dia 1º de fevereiro de uma live transmitida no Instagram da revista Pais & Filhos e conduzida pela editora-executiva Andressa Simonini.

Junto com o oncologista pediátrico Sidnei Epelman, que preside a Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer (TUCCA), Marlene reforçou a importância do diagnóstico precoce, já que os tumores em fase inicial viabilizam tratamentos menos agressivos, com possibilidade de cura em até 100%, permitindo que a criança continue a enxergar normalmente. Porém, os casos mais avançados demandam opções de tratamento com mais efeitos colaterais, como quimioterapia ou até mesmo a retirada do globo ocular, e têm chances menores de sucesso.

A Sociedade Brasileira de Pediatria cita que, no Brasil, 60% dos retinoblastomas são identificados em estágio avançado, o que reduz as chances de cura. Por isso, a orientação é que os recém-nascidos façam o “teste do olhinho”, uma avaliação ocular que pode ser conduzida pelo pediatra nos primeiros dias de vida. Além disso, as crianças devem passar por consulta com oftalmologista, com o objetivo de detectar não só este tumor, mas outras alterações como miopia, estrabismo, hemorragias, catarata ou glaucoma congênito.

Outro ponto abordado pela presidente e fundadora do LAL foi a perenidade das ações de divulgação sobre o diagnóstico precoce. “Não temos que falar da doença somente agora, e sim todos os dias. Só através da informação conseguiremos mudar esses números que a gente tem hoje e que, em alguns casos, são subnotificados. É preciso fazer com que a informação chegue a todos os cantos e que as instituições sérias, como a TUCCA, sejam a grande referência. Que a gente não fique somente no doutor Google, que a gente vá aos centros de referência e instituições buscar informação. As campanhas de momento são importantes e ajudam, mas temos que levar a mensagem o tempo inteiro”, destacou.

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