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Semana da Imunização discutiu o cenário da vacinação no Brasil

Com quatro aulas e o Fórum Brasil Imune, evento abordou calendários especiais para pacientes oncológicos e cardíacos, dentre outros temas

O Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) realizou, de 7 a 11 de junho, a Semana da Imunização. Promovido em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), o evento virtual trouxe especialistas de várias regiões do país para falar sobre os desafios atuais das campanhas de vacinação, que enfrentam baixa adesão e queda de cobertura nos últimos anos; e quais vacinas são indicadas a pacientes oncológicos, cardíacos e de grupos de risco.

Diariamente, ao longo da Semana da Imunização, foram transmitidas quatro videoaulas. A agenda incluiu ainda a primeira edição do Fórum Brasil Imune, apresentado nos dias 9 e 10 de junho pela presidente e fundadora do LAL, Marlene Oliveira.

A aula online que inaugurou a Semana da Imunização teve como convidada a pediatra e infectologista Ana Paula Burian, coordenadora do Centro de Referências para Imunobiológicos Especiais (CRIE) de Vitória, no Espírito Santo. Na transmissão, ela aborda quais vacinas são preconizadas para pacientes dos grupos de risco, que possuem maior vulnerabilidade, além de esclarecer sobre o que são os CRIEs, que conta com 52 unidades presentes em todos os estados do país.

Toda vacina oferecida pelo Programa Nacional de Imunização do Sistema Único de Saúde (SUS) contempla diferentes situações de vulnerabilidade e um calendário específico de vacinação para pacientes com comorbidades. A aplicação dessas doses é feita no CRIEs, e nas cidades onde não há um Centro de Referência a solicitação deve ser feita nas Unidades Básicas de Saúde.

A segunda aula da Semana de Imunização trouxe o infectopediatra e diretor da SBIm, Renato Kfouri. Ele explica que os pacientes oncológicos, transplantados, em tratamentos que utilizam medicamentos imunossupressores, dentre outros casos, possuem uma resposta imunológica mais frágil. E pacientes com câncer são considerados imunocomprometidos pois a própria neoplasia causa esse efeito, assim como os tratamentos oncológicos mais comuns.

“As infecções nos pacientes com câncer são mais graves e representam maior risco, por isso é preciso prevenir. E muitas dessas infecções têm vacina, como pneumonia e gripe. A vacina é uma ferramenta de promoção de saúde muito importante”, diz o médico.

Em relação à vacina contra Covid-19, os doentes crônicos são previstos pelo PNI dentre os grupos prioritários, e o infectopediatra reforça que pacientes oncológicos também precisam receber essa proteção. “É uma doença que impacta de maneira muito desproporcional, e com maior significância, os pacientes com câncer”, afirma.

O terceiro tema abordado pela Semana da Imunização foi a imunização de pacientes com doenças cardiovasculares. A infectologista e pediatra Solange Dourado, representante da SBIm no Amazonas e coordenadora do CRIE de Manaus, indica que os pacientes cardíacos alinhem com seu médico assistente quais vacinas precisam receber, dentre as opções oferecidas nos sistemas público e privado.

Pacientes cardíacos não recebem tratamento com imunossupressores, de forma geral, então podem receber praticamente todos os imunizantes recomendados. “As pessoas que vivem e convivem com pacientes cardíacos, com doenças coronárias crônicas e cardiopatias, podem trazer doenças a esses pacientes. Isso torna o risco maior, então é importante que não só os familiares, mas toda rede de assistência, cuidadores e profissionais devem estar imunizados, para que isso não seja um fato a mais para o paciente com doença cardíaca”, reforça a médica.

Com risco de complicações muito maiores caso contraiam a Covid-19, os pacientes cardíacos precisam garantir todas as medidas de prevenção, e a mais eficaz é a vacina. “É muito importante manter todos os cuidados básicos, e mesmo após ser vacinado continuar com as medidas de proteção, utilizando as máscaras. Ainda não é hora para relaxar, a imunização vai ajudar mas não podemos deixar de lado as outras proteções”, diz a infectologista.

Para pacientes cardíacos, o sistema de saúde público oferta quase todos os imunizantes oferecidos pela rede privada. Uma exceção é a vacina do herpes, importante para pacientes cardíacos e pessoas em geral acima de 50 anos, mas antes de adquirir o imunizante é necessário conferir com o médico assistente quais o paciente deve receber e vai se beneficiar.  

Finalizando a programação da Semana da Imunização, no dia 11 de junho, o pediatra e infectologista Marco Aurélio Palazzi Sáfadi, presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), explanou as vacinas disponibilizadas pelo SUS. O Plano Municipal de Imunização do SUS é mundialmente reconhecido como exemplo de política pública em saúde.

Sáfadi acrescenta que a vacinação, junto com o saneamento básico, é uma das políticas públicas mais importantes do país. “Tivemos avanços inequívocos no que diz respeito a controle de doenças. E o controle dessas doenças se deveu, basicamente, a ação das vacinas. Isso significa reduzir taxas de hospitalização, de mortes, sequelas e a doença de forma geral. E representa a possibilidade de eliminação de doenças, que é quando ocorre uma ausência de circulação do patógeno em determinada região, como conseguimos com a poliomielite”, afirma.

A erradicação de doenças, como ocorreu com a varíola em todo o mundo, é um grande desafio para a saúde. Mas há possibilidade de essa conquista ser estendida a outras condições, como a própria pólio, o sarampo, dentre outras, com ampliação da cobertura de vacinação.

O médico infectologista lembra que as vacinas oferecidas pelo SUS possuem garantia de segurança e eficácia, pois são rigorosamente avaliadas por agências reguladoras. “Para serem incorporadas, todas as vacinas precisam provar a capacidade de prevenir os desfechos da doença, seja de hospitalização, sintomas ou até a morte, além de prevenir a infecção. Ou seja, além de eliminar o risco de você ficar doente, previne que você adquira a doença e transmita a outros, em diferentes níveis de eficácia”, diz.

De forma geral, o Brasil tem registrado queda de cobertura na campanha de vacinação para várias doenças, nos últimos anos. Essa situação foi agravada em 2020 e 2021 com as restrições de circulação, por conta da pandemia, e o distanciamento social. “Estamos com taxas muito aquém daquelas necessárias, e isso traz o risco de recrudescência dessas doenças. É perfeitamente possível que isso ocorra, e é o momento de a gente buscar a atualização da carteira de vacinação. Se resgatarmos as taxas de cobertura alta, teremos um cenário positivo pela frente; caso contrário, tenho muito receio das doenças que podem retornar”, antevê o médico.

Pelo SUS, toda a população pode obter acesso às vacinas previstas pelo PNI, e a avaliação individual depende das condições clínicas do paciente, sua idade e outras particularidades. “O acesso às vacinas é livre para todo cidadão, inclusive aos que não são brasileiros. Esse é o conceito da equidade de distribuição e acesso do PNI, é um direito de todo cidadão e dever do Estado”, frisa Sáfadi.

O infectologista finaliza a aula, e a Semana da Imunização, reiterando que todos os brasileiros, de todas as idades, precisam ter acesso às vacinas preconizadas para sua faixa etária e condição de saúde. “As vacinas são instrumentos muito benéficos e trazem um cenário de vida mais longeva e com mais qualidade. São conquistas muito importantes que não podemos perder, de forma alguma, e lutar para que se mantenham, para proporcionar um acesso cada vez mais amplo a toda população”, conclui.

Todas as aulas da Semana da Imunização, bem como o Fórum Brasil Imune, podem ser acessadas no site e no canal do Youtube do Instituto Lado a Lado pela Vida. Também está disponível o Guia de Recomendações para imunização de pacientes de risco, elaborado pela equipe do LAL e voltado aos pacientes com câncer, transplantados, com HIV, doenças cardiovasculares e crônicas, incluindo diabetes, doenças renais, dentre outras.

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