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Teste genético pode auxiliar na detecção precoce do câncer de próstata

Alterações genéticas de transmissão hereditária são relacionadas a casos precoces e mais agressivos deste câncer, o segundo mais comum na população masculina 

O câncer de próstata é o segundo tumor mais frequente na população masculina do Brasil – atrás somente do câncer de pele não-melanoma. Dentre todos os tumores diagnosticados no país, o de próstata responde por 29,2%, equivalente a 65.840 novos casos por ano. Relacionado a quase 16 mil mortes no Brasil e mais de 375 mil óbitos em todo o mundo, acomete principalmente homens acima dos 55 anos. Mundialmente, 75% dos casos de câncer de próstata ocorrem a partir dos 65 anos de idade.  

A próstata é uma glândula que pesa em torno de 20 gramas e fica localizada abaixo da bexiga e na frente do reto. A principal função deste órgão é a produção de esperma, juntamente com as vesículas seminais (líquido que auxilia no transporte dos espermatozoides).  O câncer de próstata é o resultado de uma multiplicação anormal de células nesta região. Quanto antes esta doença for detectada, maiores são as chances de cura, diminuindo a probabilidade de ocorrências de metástases (quando as células cancerígenas se espalham para outros órgãos) e também de invasão local.  

Fatores ambientais, como exposição a alguns agentes e substâncias químicas, são condições que aumentam o risco de desenvolver esse tipo de câncer, assim como obesidade. Também há o risco hereditário – homens com casos de câncer na família, principalmente em familiares de primeiro grau, são considerados como de maiores chances a doença. Isso porque alterações nos genes BRCA 1 e 2 e ATM estão associadas ao aparecimento deste câncer. Além disso, nestes casos, o tumor costuma ocorrer em uma faixa etária mais precoce que a média ou com pior evolução prognóstica. 

Estudo do Fred Hutchinson Cancer Research Center e da Universidade de Washington, intitulado “GENTleMEN”, constatou em 2017 que quase 12% dos homens com câncer de próstata avançado herdaram mutações em genes que são importantes para manter o DNA livre de erros – o que significa que eles receberam esses erros genéticos de um dos pais muito antes de um tumor se formar. Os pesquisadores também descobriram que os homens com câncer de próstata metastático eram cinco vezes mais propensos a ter herdado esses tipos de mutações do que os homens na população em geral. 

O exemplo mais conhecido de falha genética, são os genes BRCA1 e BRCA2. Algumas falhas nas sequências desses dois genes aumentam o risco de câncer de mama e ovário nas mulheres. Mas os homens também possuem risco maior de câncer. Por exemplo, algumas mutações BRCA2 colocam os homens em maior risco de desenvolver câncer de próstata, câncer de mama e o câncer pancreático masculino. As mutações BRCA também aumentam o risco de câncer de pâncreas para as mulheres. 

O diagnóstico precoce é a principal ação a ser tomada contra esse tipo de câncer, que passa pelo acompanhamento médico para realização de exames como o PSA (exame de sangue que analisa uma proteína produzida pela próstata) e o toque retal (exame que avalia o volume da próstata e a possível presença de nódulos). Quando alterados, à critério médico, recorre-se à ressonância magnética seguida ou não de biópsia da próstata.  

E se há um histórico familiar dessa doença, pode ser realizado o Teste Genético para câncer hereditário (teste que identifica indivíduos com risco aumentado de desenvolver câncer). O impacto prático específico para o câncer de próstata ainda está sendo discutido, visto que os homens que apresentam história familiar já têm indicação de realizar o rastreamento com maior vigilância. 

Com isto é possível fazer a detecção precoce da doença, fase em que há maior chance de cura, ou iniciar precocemente o rastreamento da doença nos casos identificados com alteração genética. Descobrir os riscos de desenvolver câncer pode trazer benefícios imediatos: certas terapias, geralmente não utilizadas no câncer de próstata, funcionam particularmente bem contra tumores com esses tipos de mutações. Além disso, um teste positivo é um sinal de alerta para aos membros da família deste paciente sobre o risco potencial de desenvolver câncer futuramente, que pode ser maior se eles também herdaram a mesma mutação. 

Como saber se há indicação para fazer o teste genético?  

  • Histórico familiar de câncer de mama antes dos 45 anos; 
  • Histórico familiar de câncer de mama triplo negativo antes dos 60 anos; 
  • Ocorrência familiar de câncer de mama bilateral em idade jovem; 
  • Pacientes do sexo masculino que tiveram câncer de mama; 
  • Histórico familiar de câncer de ovário, câncer de pâncreas, câncer de próstata e melanoma; 
  • Descendência de judeus Ashkenazi; 
  • Ser descendente de judeus Ashkenazi, com histórico familiar de câncer de mama, ovário e pâncreas; 
  • Indivíduos com alguma mutação identificada na família. 

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