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Vírus HPV, comum e de contágio fácil, é responsável por vários tipos de câncer

Organizações de saúde estimam que a maioria da população terá contato com o HPV; dois tipos do vírus estão relacionados a pelo menos 70% dos casos de câncer de colo do útero  

O Papilomavírus Humano (HPV) é um grupo de vírus muito comum, formado por mais de 200 tipos diferentes. Estima-se que a maioria das pessoas será infectada pelo HPV ao longo da vida. E, dentre esses diferentes tipos do vírus, cerca de catorze são considerados cancerígenos e acometem principalmente o colo do útero, pênis, orofaringe, boca, vulva e ânus.

Ao longo do ano de 2020, esses seis tipos de câncer registraram, no Brasil, 30.425 novos casos e 18.416 óbitos, segundo dados do Globocan (Global Cancer Observatory). E, além de tumores malignos, o HPV também é responsável por outras condições que afetam homens e mulheres, especialmente as verrugas e lesões genitais e no ânus.  

Os altos números de doenças provocadas pelo HPV ocorrem pela alta disseminação do vírus na população. Muitos dos contaminados não sabem que têm o HPV, já que a grande maioria não irá apresentar sintomas por muito tempo após o contágio, e o próprio sistema imune será responsável por eliminar o vírus do organismo. Mas, até que isso ocorra, podem transmitir a outras pessoas.

A forma mais frequente de transmissão do HPV é sexual, por meio do contato direto com pele ou mucosa infectada, com ou sem penetração. Por isso, a camisinha é indicada em toda relação sexual, ainda que a lesão do HPV esteja em outra área do corpo. Outra forma de transmissão é pela mãe infectada para o filho, durante o parto.

Dentre as opções para prevenir o contágio pelo vírus, a mais eficaz e segura é a vacinação. No Brasil, a vacina anti-HPV consta na rede pública e privada. Quadrivalente, ela protege contra os tipos mais frequentes do HPV, que são o 6, 11, 16 e 18. Os tipos 16 e 18 estão presentes em 70% dos casos de câncer do colo do útero. Já os HPV 6 e 11, encontrados em 90% das verrugas genitais e papilomas laríngeos (comuns em crianças), são considerados não oncogênicos.

Em relação ao câncer de colo de útero, quarto tumor mais comum dentre a população feminina no país, entre o contágio pelo HPV até a manifestação de sintomas do tumor podem se passar até 20 anos. Por isso, a recomendação oficial é que as mulheres, inclusive as vacinadas contra HPV, realizem o exame preventivo, o Papanicolau, que permite identificar lesões no colo do útero causadas pelo vírus antes mesmo que se desenvolvam para o câncer. Se identificado nessa etapa, as chances de cura para o câncer chegam a 100%.

Em 2020, 17.743 mulheres brasileiras foram diagnosticadas com o câncer de colo de útero, e 9.168 vieram a óbito. Com o intuito de reduzir ao máximo esses índices, todas as mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos e que já iniciaram a vida sexual devem fazer o exame preventivo anualmente. Após dois resultados negativos em sequência, a periodicidade pode aumentar para a cada três anos, já que as lesões têm um crescimento muito lento.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina regularmente para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. O ideal é receber as doses antes do início da vida sexual, para uma maior efetividade. Também é ofertada para homens com HIV, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 26 anos; e mulheres que vivem com HIV, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos na faixa etária de 9 a 45 anos.

Embora seja uma vacina segura e eficaz contra o câncer, a cobertura está muito abaixo do índice preconizado, que é de 80%. Segundo o Ministério da Saúde, em 2020, a primeira dose foi aplicada em cerca de 83% das meninas e em pouco mais de 60% dos meninos. A segunda dose atingiu uma cobertura ainda menor: aproximadamente 60% das meninas e 35% dos meninos, de acordo com informações do PNI (Programa Nacional de Imunizações).

Para reverter esse cenário, o Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) lançou no mês de dezembro de 2021 a campanha “Câncer por HPV: o Brasil pode ficar sem”. A iniciativa do LAL reúne parceiros que também atuam para motivar a população a aderir à vacinação, como a Sociedade Brasileira de Imunização (SBIm), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), revista Pais & Filhos e Instituto Palavra Aberta, criador do Educa Mídia.

A iluminação especial do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, na cor magenta, no dia 10 de dezembro, em parceria com o Santuário Cristo Redentor, foi a forma escolhida pelo LAL para dar ainda mais visibilidade à ação. E na quinta-feira (10), foi transmitido o “Simpósio Câncer por HPV: o Brasil pode ficar sem”, com especialistas do Brasil e exterior para abordar o tema. Assista o evento completo acessando o site do Instituto Lado a Lado pela Vida.

Fontes: Organização Mundial de Saúde (OMS), PNI (Programa Nacional de Imunizações/MS); Instituto Nacional do Câncer (INCA), Cancer Today – International Association of Cancer Registries (IARC), Globocan.

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